Protestos em Cuba contra os apagões e falta de comida

18 de março 2024 - 16:53

Centenas de pessoas saíram às ruas de Santiago no domingo para reclamar contra os cortes de energia e a má distribuição de alimentos.

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Manifestação em Santiago
Manifestação em Santiago, Cuba. Foto publicada por @ElNecio_Cuba/X

Num protesto espontâneo, centenas de pessoas dos bairros operários de Santiago, a segunda maior cidade de Cuba, saíram às ruas entoando palavras de ordem como "luz e comida" e "temos fome". O protesto deve-se às constantes interrupções no fornecimento de eletricidade, com apagões que chegam a durar doze horas por dia e estragam a comida congelada. Por outro lado, critica-se o esquema de racionamento de alimentos como o pão ou o leite para as crianças, que muitas vezes não chega às pessoas que dele necessitam.

Nenhuma organização da oposição cubana reivindicou a autoria deste protesto, cujas exigências se cingiram ao custo de vida e a estas dificuldades sentidas pela população. Apesar disso, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel reagiu aos protestos afirmando que "nas últimas horas temos visto como terroristas radicados nos EUA, que já denunciámos noutras ocasiões, incentivam ações contra a ordem interna do país".

"A disposição das autoridades do Partido, do Estado e do Governo é atender as reclamações no nosso povo, escutar, dialogar, explicar as numerosas medidas que se realizam para melhorar a situação, sempre num ambiente de tranquilidade", prosseguiu o presidente de Cuba.

E as manifestações de domingo foram de facto pacíficas, com as pessoas a dirigirem-se à sede do PC cubano em Santiago, onde alguns dirigentes procuraram acalmar os manifestantes. E não tardou muito até à luz voltar a Santiago e a venda de alimentos ser retomada.

A principal dirigente do PC cubano em Santiago, Beatriz Johnson Urrutia, afirmou nas redes sociais que "a população de Santiago de Cuba foi respeitadora e ouviu atentamente a informação dada pela direção do município sobre a distribuição do cabaz" e também do fornecimento de eletricidade, tendo em conta as dificuldades das centrais termoelétricas e a falta de combustível. Outros dirigentes atribuíram responsabilidades ao "bloqueio genocida" dos EUA e também à ingerência da embaixada deste país em Havana, a quem acusam de "interferir nos assuntos internos do país e incitar à desordem social".

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