O Prime Day da Amazon, dois dias de descontos entre 11 e 12 de julho, foi marcado por uma greve no armazém BHX4 da empresa em Coventry, no Reino Unido. O sindicato GMB mobilizou os 900 trabalhadores deste local para paralisarem durante duas horas de manhã e duas ao fim da tarde entre 11 e 13 deste mês. Exigem 17,59 euros por hora e direitos sindicais. Atualmente, dependendo do local de trabalho, recebem ou 12,90 ou 14,07.
Este armazém foi aquele em que pela primeira vez se fez uma greve na Amazon no Reino Unido. Aconteceu a 22 de janeiro deste ano e desde então a ação foi repetida em fevereiro, março, abril e junho.
Também na Alemanha houve greve nestes dias. Mais generalizada, em dez centros de distribuição, organizada pelo sindicato ver.di. Aí, o recurso a esta forma de luta tem vindo a ser mais frequente.
Para além dos baixos salários, os trabalhadores de ambos os pontos protestam contra a pressão nos locais de trabalho e contra o facto de serem contestamente monitorizados. Por isso, alguns dos trabalhadores presentes no piquete de greve traziam o cartaz que já se tornou famoso e que diz “eu não sou um robot”.
Apesar de se tratar de um armazém de retaguarda e da greve não ter por isso impacto imediato nas encomendas dos consumidores, Rachel Fagan, dirigente regional do GMB, considera, em declarações reproduzidas no Guardian, que “terá um impacto enorme na operação da Amazon Prime” porque irá mostrar que “até a Amazon, a maior distribuídora online do mundo, não é nada sem os seus trabalhadores” e classifica como “grotescos” os lucros que a empresa terá só nestes dias enquanto “negam os trabalhadores que recebem baixos salários o direito de pagar as suas contas.”