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"Portugal tem de ser respeitado por ter uma voz autónoma" sobre a Palestina

À saída da audiência com o Presidente da República, Mariana Mortágua defendeu que "reconhecer o Estado da Palestina é neste momento dar um contributo para parar o genocídio".
Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e Jorge Costa
Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua e Jorge Costa no Palácio de Belém. Foto Tiago Petinga/lusa

Na ronda de audiências com os partidos no início do debate do Orçamento do Estado para 2024, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu esta segunda-feira uma delegação do Bloco de Esquerda. A crise na habitação, a degradação do SNS e o genocídio em curso por parte de Israel na Palestina foram as três preocupações que o Bloco trouxe a Belém.

À saída da reunião, Mariana Mortágua disse aos jornalistas que "Portugal tem de ser respeitado por ter uma voz autónoma que contribui para a solução e para a paz". Por isso deve exigir em primeiro lugar um cessar-fogo imediato, na linha do que tem vindo a ser repetido pelo secretário-geral das Nações Unidas. Para a coordenadora bloquista, essa "deve ser a maior preocupação de todas as pessoas que falam pela República portuguesa".

E em segundo lugar, Portugal deve concretizar o reconhecimento do Estado independente da Palestina. "O Parlamento já o reconheceu, falta apenas que o Estado português o faça, sem estar dependente de outras posições de outros países", defendeu a coordenadora do Bloco.

"Está em curso um genocídio, um processo de limpeza étnica, com a morte de milhares de crianças, de milhares de civis, com ataques a campos de refugiados e hospitais", apontou Mariana Mortágua, sustentando que "não faz nenhum sentido que perante a gravidade dos crimes a que estamos a assistir, da violação do direito internacional, o Estado português se mantenha numa situação insustentável de estar à espera de saber o que decide a União Europeia para saber o que é que nós, como país, defendemos".

Além da necessidade de Portugal ter uma voz autónoma sobre o massacre em curso e o futuro da Palestina, no plano nacional a delegação bloquista transmitiu ao Presidente da República duas preocupações antigas e para as quais não vê respostas da parte do Governo. É o caso de uma crise na habitação que "mantém-se e agrava-se com o aumento das rendas e juros nos créditos à habitação" e com cada vez mais pessoas "que precisam de uma casa para viver e não a encontram", enquanto assistem à "falta de respostas e falta de cumprimento das promessas do Governo".

Falta de acordo com os médicos é "um convite para que os médicos saiam do SNS"

A outra preocupação é com a situação do SNS, que na opinião de Mariana Mortágua "vai-se degradando a olhos vistos", com o acesso à saúde a ser dificultado "porque temos um serviço público que é apenas suportado por profissionais que fazem horas extraordinárias muito para além do limite legal e estão esgotados".

O Bloco tem insistido que a solução passa por "atrair e fixar mais profissionais no SNS. E só há uma forma de o fazer: reduzir horas extraordinárias, aumentar o salário base dos profissionais de saúde", resumiu a coordenadora do Bloco, acrescentando que "o Governo sabe disto e em vez de ir ao encontro dos profissionais de saúde que querem resolver o problema do SNS, tem vindo a prolongar estas negociações desnecessariamente".

"A incapacidade do Governo para chegar a um acordo com os médicos está a traduzir-se num convite para que os médicos saiam do SNS", prosseguiu Mariana Mortágua, falando no caso concreto dos médicos jovens, a quem "o Governo está a dizer que vão ter de continuar a trabalhar quatro meses de horas extraordinárias para o resto da sua vida". A recusa em dar condições laborais dignas aos médicos "é a maior desistência que o Governo pode fazer em relação ao SNS", concluiu.

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