Genocídio

"Portugal está a ser cúmplice": manifestantes juntam-se contra atracagem do navio do genocídio

09 de novembro 2024 - 22:23

Quase uma centena de pessoas apelaram ao boicote do navio NYSTED MAERSK, que aporta esta noite em Lisboa. Fabian Figueiredo diz que é "inaceitável" governo português autorizar a atracagem do navio em Portugal.

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Manifestação contra atracagem do navio do genocídio
Fotografia de Esquerda.net

Quase uma centena de pessoas estiveram presentes em frente à Autoridade do Porto de Lisboa, em Alcântara, para protestar contra a atracagem do navio NYSTED MAERSK, que chegou esta noite a Lisboa e deve partir para Tânger, em Marrocos amanhã.

O navio faz parte de uma rede de cargueiros envolvidos no transporte dissimulado de equipamento militar a Israel, que foi denunciada pela campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel.

Entre gritos de “boicotar, boicotar, Palestina libertar!”, os manifestantes denunciaram a cumplicidade do governo português, ao permitir que o navio atraque em Lisboa. Lembre-se que o governo do Estado espanhol impediu barcos dessa mesma rede de atracar nos seus portos, uma vez que era a partir do porto de Algeciras.

Sandra Machado, da Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, afirmou que “Portugal está a ser cúmplice” e que “o impedimento de atracar nos portos dos diversos países seria uma forma de não contribuir para tudo isto que está a acontecer”, referindo-se ao trânsito dos navios desta rede que foi agora denunciada.

“Esperamos uma resposta do governo, que infelizmente já sabemos qual será”, lamentou. De facto, o ministério das Infraestruturas e Habitação disse que não iria proibir a entrada do navio no porto de Lisboa, usando como motivo o facto de não haver armas registadas no manifesto de carga.

Só que o problema não é o manifesto de carga, mas o facto de o navio fazer precisamente parte de uma rede mais alargada que tem transportado armas para Israel nos últimos meses. O líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, esteve também presente na concentração, onde afirmou ser “inaceitável” que o governo português tenha autorizado a atracagem do navio.

“Este navio atraca em Lisboa porque não foi autorizado a atracar em Espanha, concretamente no porto de Algeciras”, explicou o deputado bloquista. “Este navio tem participado num esquema ilegal para transportar armamento de Algeciras para Israel, tem aportado em Algeciras para receber cargas de outros navios do grupo Maersk, essas sim com armamento, para depois se deslocar até Israel”.

O dirigente do Bloco de Esquerda sublinho que o “receio” do partido é que “Portugal esteja na rota marítima do genocídio” porque isso é inaceitável. “O governo está a desconversar, o que o Bloco de Esquerda e o que a sociedade civil palestiniana apelaram ao governo foi para não deixar entrar este navio porque ele tem cadastro no transporte de armamento para Israel”.