Genocídio

Governo ignora denúncia e deixa atracar navio do genocídio

09 de novembro 2024 - 19:07

Governo recusa negar a entrada ao navio NYSTED MAERSK com base no manifesto de carga, mas em causa está o facto de o navio participar numa rede de cargueiros que transporta armas dissimuladamente para Israel, e que foram proibidos de entrar nos portos espanhóis.

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Miguel Pinto Luz
Fotografia de Web Summit/Flickr

O governo recusou haver justificação para negar a entrada do navio NYSTED MAERSK no porto de Lisboa, com base no manifesto de carga. A informação foi partilhada pelo ministério das Infraestruturas e Habitação, em reação à questão colocada pelo Bloco de Esquerda e ao comunicado emitido pela campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a Israel.

“Este navio prevê partir na manhã de amanhã, 10 de novembro, sem efetuar qualquer carga. Em resposta a pedido de esclarecimento, foi-nos reconfirmado que não é transportada qualquer carga militar, armamento ou explosivos”, disse fonte do governo à Lusa.

Mas em questão não está a carga atual do navio, antes o facto de ter sido exposto com um dos cargueiros envolvidos no transporte dissimulado de equipamento militar a Israel. A denuncia veio precisamente da campanha BDS, que alerta que o navio em questão já transportou mais de 400 carregamentos militares em nome do ministério da Defesa israelita.

A coordenadora do Bloco de Esquerda explicou na rede social X que "o problema não é a carga a bordo agora. É que vai seguir para Marrocos ao encontro de outro navio Maersk (já banido pelo governo de Espanha quando o esquema foi descoberto) do qual receberá a carga ilegal para entregar ao Estado genocida".

"O Governo responde de novo com bugalhos e olha para o lado. Façam como Espanha e cumpram a resolução que aprovaram na ONU", disse Mariana Mortágua. O MAERSK DENVER está neste momento em Tânger, em Marrocos, para onde segue também o NYSTED MAERSK.

Aliás, o NYSTED MAERSK atraca em Lisboa porque o governo espanhol revogou recentemente as autorizações de atracagem para os navios que foram expostos por participar neste esquema de transporte ilegal de armas. Os cargueiros usavam o porto de Algeciras, em Espanha, como ponto para recolher o equipamento militar que depois era transportado para Israel, fazendo paragens em Alexandria, no Egito, e em Mersin, na Turquia.

A Plataforma Unitária pela Solidariedade pela Palestina convocou uma concentração para a frente da Administração do Porto de Lisboa este sábado às 20h, para protestar a autorização de atracagem do navio.