Os incêndios deste ano em Portugal já ultrapassaram o dobro da média de área ardida dos últimos 18 anos. Os números são do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (EFFIS), divulgados esta terça-feira pelo Público.
O método do EFFIS para contabilizar a área ardida a nível global baseia-se nos dados obtidos por satélite sobre a temperatura do solo. A contagem peca por excesso, o que explica a diferença para os números do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para a área ardida, que é processada com mais detalhe, complementando a informação dos satélites com a verificação do terreno. Enquanto o EFFIS calcula 216 mil hectares ardidos este ano em Portugal, o ICNF aponta 184 mil hectares.
As contas do EFFIS concluem que já ardeu este ano 2,35% do território português, mais do dobro da média dos últimos 18 anos, que foi de 1,05%. Apenas a Espanha ultrapassa os números absolutos de área ardida, com 344 mil hectares, mas estes correspondem a apenas 0,68% do território. Em termos percentuais, só o Chipre se aproxima de Portugal, com os 13 mil hectares ardidos a corresponderem a 2,3% do território da ilha.
A união dos incêndios com origem nos concelhos de Trancoso e Sátão fazem deste incêndio o maior deste ano e provavelmente o maior de sempre em Portugal, adianta o Público, com mais de 80 mil hectares ardidos, ultrapassando a área do incêndio de 2017 na Lousã, que teve mais de 53 mil hectares ardidos. Mas a fasquia deverá ser ultrapassada nas próximas horas pelo incêndio com origem em Arganil e que continua a alastrar nos concelhos vizinhos e está ainda por dominar.
“Adia-se sempre o ordenamento da floresta”
Nas redes sociais, a coordenadora do Bloco de Esquerda escreveu esta segunda-feira que “a angústia é um mau pano de fundo para balanços”, mas há um balanço que “deve ser feito: a cada ano responsabilizam-se incendiários e explica-se a tarefa impossível dos bombeiros, mas adia-se sempre o ordenamento da floresta. Levar a sério esta tarefa será uma homenagem a quem combate os fogos”.
Mariana Mortágua tinha deixado na semana passada uma mensagem de solidariedade aos bombeiros e às populações afetadas pelos incêndios e voltou a defender que “Portugal precisa de mudar radicalmente o ordenamento florestal”, pois “é tempo de trocar o eucalipto por espécies autóctones, que previnem o fogo e protegem as populações”. Sem essa mudança, “voltaremos a ouvir as mesmas lamentações no próximo ano”, alertou.