Em e-mail endereçado à presidência da Câmara do Porto, liderada por Rui Moreira, a Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto (MOP) explica que, após ter sido surpreendida “com a resposta tardia sobre o pedido para a concretização do nosso Arraial” decidiu realizar uma petição online.
De acordo com os 21 coletivos e associações, o objetivo da iniciativa passa por ampliar as suas vozes para todas as pessoas que acreditam que esta luta não deve ser invisibilizada e que o Arraial se deve realizar no centro da cidade.
No texto do email enviado à Câmara do Porto, é referido que, até àquele momento, já tinham sido rececionadas 5.603 assinaturas, das quais 3.695 são de pessoas que vivem no distrito do Porto.
A Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho LGBTI+ do Porto solicita que “o pedido dessas pessoas seja atendido e o município dê uma resposta correta e clara ao desejo de tantas pessoas para que esta celebração aconteça no centro da cidade e num espaço acessível e capaz de comportar a expectativa da organização de que 15 mil pessoas estejam presentes”.
Na passada segunda-feira, o grupo municipal do Bloco de Esquerda apresentou uma proposta para que a autarquia acolha a solicitação da Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho do Porto.
Usufruindo do espaço reservado à intervenção dos munícipes, Eulália Almeida, membro da Amplos — Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual e Identidade de Género, deixou um apelo: “Digam ao nosso presidente que nos deixe fazer o nosso arraial. Porque a marcha nós vamos fazer, custe o que custar. Mas queremos o nosso arraial na Alameda das Fontainhas ou no Largo Amor de Perdição”. Eulália, com 71 anos de idade, falou já depois da 1h da manhã. Mas Rui Moreira não esteve disponível para ouvi-la, já que saiu imediatamente antes das intervenções dos munícipes.
"Se não tivermos outra opção, a alternativa será a ocupação do espaço público"
Filipe Gaspar, membro da comissão organizadora da MOP, explicou ao jornal Público que “é impensável que o arraial aconteça no Covelo, que nem tem dimensão para receber tantas pessoas [a organização aponta para 15 mil]. E é uma zona arborizada e de fácil acesso a quem queira promover ataques ou palavras de ódio”.
“Para o Covelo não vamos", garantiu Filipe Gaspar. "Se não tivermos outra opção, a alternativa será a ocupação do espaço público. E essa é uma solução que nos coloca em perigo”, sem proteção das forças policiais. “Para mim, é muito claro que esta é uma forma de nos oprimir e desgastar. Mas temos esperança que o município ainda repense a sua postura”, acrescentou o ativista.
Ainda assim, a Câmara mantém a sua decisão: “A CMP reitera a resposta da empresa municipal Ágora (...) A solução apresentada passa pela realização da iniciativa no Parque Municipal do Covelo, espaço verde da cidade próximo ao Marquês, que reúne todas as condições necessárias para a concretização do evento”, informou a autarquia em comunicado.
“Se, ainda assim, a organização entender não ser este o local indicado", o município do Porto “lamenta a posição”.