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Países vulneráveis ​​exigem imposto global para pagar efeitos das alterações climáticas

As nações pobres exortam a ONU a criar um imposto “relacionado com o clima e baseado na justiça” para grandes utilizadores de combustíveis fósseis e viagens aéreas.
Foto de John Englart/Flickr

De acordo com o documento a ser discutido esta semana na assembleia geral da ONU, a que o The Guardian teve acesso, os países pobres reivindicam a criação de um imposto global como forma de financiar pagamentos por perdas e danos sofridos pelo “mundo em desenvolvimento” em consequência das alterações climáticas.

Em causa poderá estar um imposto global sobre o carbono, a taxação das viagens aéreas e dos combustíveis altamente poluentes e intensivos em carbono utilizados por navios, novos impostos sobre a extração de combustíveis fósseis ou um imposto sobre transações financeiras. Na missiva são assinaladas as vantagens e desvantagens de cada uma das opções e as alternativas de captação de recursos dos países ricos através dos bancos de desenvolvimento, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o setor privado.

Ainda que os países ricos tenham chegado a acordo, na cimeira climática da ONU Cop26, em Glasgow, no que respeita à existência de uma estrutura para perdas e danos, não há acordo sobre como esta poderia ser financiada ou quem deveria contribuir. Este tópico deverá ser novamente discutido na Cop27, que se realizará no Egito em novembro.

Num outro documento, Antígua e Barbuda adverte que o aumento da temperatura do mar e do ar no Caribe pode criar uma super-tempestade dentro de anos, que causaria danos de mais de 9 mil milhões de euros apenas na nação insular, seis vezes o seu PIB anual.

Adelle Thomas, diretora do centro de adaptação às alterações climáticas da Universidade das Bahamas e principal autora do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, afirmou que “o caso de Antígua e Barbuda ressalta a necessidade de uma ação climática ambiciosa abordando [a redução das emissões de gases redução], adaptação e perdas e danos”.

“Para os países do Caribe que menos contribuíram para as alterações climáticas, mas já estão a lutar contra os impactos atuais, é fundamental que o aquecimento global seja limitado a 1,5°C, que o financiamento para adaptação seja significativamente aumentado e tornado mais acessível e que haja novos financiamentos e apoios adicionais disponíveis para lidar com perdas e danos”, frisou.

Walton Webson, embaixador de Antígua e Barbuda na ONU e presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, referiu que “merecemos viver sem o medo iminente da dívida e da destruição”.

“As nossas ilhas estão a arcar com o fardo mais pesado de uma crise que não causámos, e a criação urgente de um fundo dedicado a resposta a perdas e danos é fundamental para uma recuperação sustentável. Estamos a enfrentar impactos climáticos que se tornam cada vez mais extremos a cada ano que passa”, alertou.

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