Está aqui

Atraso dos governos põe em risco metas climáticas, diz relatório da OMM

O relatório "Unidos na Ciência 2022", da Organização Meteorológica Mundial, diz que para atingir o objetivo de 1,5°C de aumento da temperatura média seria necessário multiplicar por sete a soma dos atuais compromissos de redução de emissões por parte dos países.
Tempestade tropical Batsirai junto a Madagáscar. Foto NASA

O relatório "Unidos na Ciência 2022", publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) reúne os mais recentes trabalhos científicos ligados ao impacto das alterações climáticas e começa por dar nota do aumento das emissões de gases com efeito estufa como o CO2 nos primeiros meses deste ano, depois de uma redução em 2020 por causa da pandemia e da quase paralisação da atividade industrial com os confinamentos.

Por isso, preveem os cientistas, a meta de conter o aumento da temperatura média em 1,5°C face à época pré-industrial poderá ser desfeita já nos próximos cinco anos, com uma probabilidade de 48%. Quase inevitável parece ser a probabilidade de um dos próximos cinco anos ser o mais quente desde que há registos, com 93%, depois de isso já ter ocorrido sempre entre 2015 e 2021.

Quanto aos compromissos já assumidos pelos países para conterem as emissões de forma a atingir a marca de 1,5°C de aumento máximo da temperatura média, os estudos disponíveis dizem que seria necessária uma ambição sete vezes maior para que isso fosse possível ainda este século. E mesmo para o objetivo menos ambicioso de um aumento de 2°C, que trará impactos ainda mais prejudiciais para a vida humana no planeta, esses compromissos teriam de ser quatro vezes maiores. Caso contrário, os chamados pontos de não-retorno climáticos serão ultrapassados, o que equivale a danos irreversíveis nos ecossistemas da Terra.

Outra das conclusões confirma o que mostra a realidade a que hoje assistimos: são as populações mais vulneráveis que estão e irão continuar a sofrer os impactos das alterações climáticas e dos fenómenos meteorológicos extremos que tenderão a aumentar. E é nas cidades, hoje responsáveis por 70% das emissões causadas por ação humana, que as desigualdades socioeconómicas mais se irão agravar devido a esses impactos.

Guterres alerta que estamos a entrar em "territórios desconhecidos de destruição"

"A ciência é clara: é necessária ação urgente para mitigar as emissões e adaptar-nos a este clima em mudança", diz o relatório da OMM, insistindo no seu tema de campanha principal para este ano: os sistemas de alerta precoce que podem salvar muitas vidas e reduzir perdas e danos nas regiões ameaçadas por fenómenos meteorológicos extremos. Trata-se de uma medida de adaptação que ainda não está em prática em muitos países e cujo investimento é largamente compensado pelo benefício do alerta às populações em situações de vagas de calor, inundações ou tsunamis, entre outros.

António Guterres divulgou este relatório nas redes sociais com mais um alerta de que os impactos das alterações climáticas estão a levar o planeta para "territórios desconhecidos de destruição" e que apesar disso "a cada ano reforçamos a nossa dependência dos combustíveis fósseis". Mais uma vez, o secretário-geral da ONU apela aos líderes políticos que transformem as suas promessas em ações pelo clima.

Termos relacionados Ambiente
(...)