Gaza

“O genocídio de Israel não acabou”, diz Amnistia Internacional

29 de novembro 2025 - 10:50

A organização defende que o cessar-fogo “não deve tornar‑se uma cortina de fumo para o genocídio em curso” e denuncia que os países estão a “diminuir a pressão sobre Israel”.

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Tendas de palestinianos deslocados internamente ao lado das ruínas de edifícios destruídos  no bairro de Al Zaitun, na zona leste da cidade de Gaza, na Faixa de Gaza.
Tendas de palestinianos deslocados internamente ao lado das ruínas de edifícios destruídos no bairro de Al Zaitun, na zona leste da cidade de Gaza, na Faixa de Gaza. Foto Mohammed Saber/EPA

Quase dois meses após a libertação dos reféns israelitas vivos e o anúncio de um cessar-fogo, já morreram pelo menos 327 pessoas, incluindo 136 crianças, vítimas de ataques israelitas na Faixa de Gaza. Esta quinta-feira a Amnistia Internacional acusou as autoridades de Israel de continuarem a cometer genocídio contra os palestinianos na Faixa de Gaza ocupada, infligindo deliberadamente condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física, sem sinalizar qualquer mudança na sua intenção.

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“O cessar-fogo corre o risco de criar uma ilusão perigosa de que a vida em Gaza está a voltar ao normal. Mas, embora as autoridades e forças israelitas tenham reduzido a escala dos seus ataques e permitido a entrada de quantidades limitadas de ajuda humanitária em Gaza, o mundo não deve ser enganado. O genocídio de Israel não acabou”, apontou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.

Após dois anos de bombardeamentos e fome sistemática deliberada a que sujeitou a população de Gaza, as intenções de Israel não mudaram com o cessar-fogo, prossegue a dirigente da Amnistia, acusando o governo de continuar “com as suas políticas implacáveis, restringindo o acesso a ajuda humanitária vital e serviços essenciais e impondo deliberadamente condições calculadas para destruir fisicamente os palestinianos em Gaza”.

“Israel deve levantar o seu bloqueio desumano e garantir o acesso irrestrito a alimentos, medicamentos, combustível, materiais de reconstrução e reparação. Israel deve também envidar esforços concertados para reparar infraestruturas críticas, restaurar serviços essenciais, fornecer abrigo adequado aos deslocados e garantir que possam regressar às suas casas”, defendeu Agnès Callamard.

“Agora não é o momento de diminuir a pressão sobre as autoridades israelitas”

A Amnistia Internacional vê com preocupação os sinais dados nas últimas semanas pela comunidade internacional, que “está a diminuir a pressão sobre Israel para que ponha fim às suas violações”. Os exemplos são a resolução recentemente aprovada na ONU que “não inclui compromissos claros para defender os direitos humanos ou garantir a responsabilização por atrocidades”, o levantamento por parte da Alemanha a suspensão de certas licenças de exportação de armas para Israel e o cancelamento da votação sobre a suspensão do acordo comercial entre a União Europeia e Israel.

“Agora não é o momento de diminuir a pressão sobre as autoridades israelitas. Os líderes mundiais devem demonstrar que estão verdadeiramente empenhados em cumprir o seu dever de prevenir o genocídio e pôr fim à impunidade que tem alimentado décadas de crimes israelitas em todos os Territórios Palestinianos Ocupados. Devem suspender todas as transferências de armas para Israel até que cessem os crimes israelitas ao abrigo do direito internacional. Devem ainda pressionar as autoridades israelitas a conceder aos observadores dos direitos humanos e aos jornalistas acesso a Gaza, a fim de garantir uma cobertura transparente do impacto das ações de Israel nas condições naquele território”, defendeu a dirigente da Amnistia Internacional.