Um ano depois de a pressão do Bloco de Esquerda e do movimento de solidariedade com a Palestina ter obrigado o Governo a fazer diligências que levaram o navio Kathrin a pedir a retirada do pavilhão português, há um novo navio com bandeira portuguesa a transportar armas para Israel.
Trata-se do Holger G., propriedade da empresa alemã Reederei Gerdes e registado no Registo Internacional de Navios da Madeira. Segundo as denúncias recebidas pelo Bloco, este navio "leva a bordo 440 toneladas de projéteis de 155 milímetros para as empresas israelitas de material militar Elbit Systems e IMI - Israel Military Industries".
Em pergunta dirigida ao ministro Paulo Rangel, a deputada Mariana Mortágua defendeu que a confirmar-se o transporte de armas pelo Holger G., “o Governo português deve retirar o pavilhão português deste e de outros navios que estejam a servir para o transporte de armas para Israel”.
O Bloco quer saber que informações tem o Governo acerca desta embarcação e se vai retirar a bandeira do navio ou "insistir em fazer de Portugal cúmplice de genocídio".
Em comunicado, o Comité de Solidariedade com a Palestina diz que o navio se encontra neste momento ao largo de Moçambique. A chegada ao porto de Haifa está prevista para o último dia do ano, com paragem a 22 de dezembro em Port Said, no Egito. O Comité acusa o governo português de ignorar as denúncias que várias organizações fizeram nas últimas semanas e afirma que essa desconsideração “ só expõe ainda mais notoriamente o seu grau de cumplicidade para com o genocídio ainda em curso”.
“Exigimos, em consequência, ao governo português que detenha o navio Holger G. e confisque a carga militar ilegal destinada a Israel, cumprindo assim as suas obrigações à luz do direito internacional”, conclui o comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina.
O movimento internacional de Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel também lançou o apelo à pressão sobre o governo português para investigar a situação e tomar as medidas necessárias para travar a entrega ilegal de material militar a Israel. Apela também à pressão sobre o governo moçambicano para implementar mecanismos de vigilância para impedir a utilização dos seus portos com esse fim e o mesmo para os governos dos países africanos e do Mediterrâneo, no sentido de impedirem a passagem e a paragem nos seus portos do navio Holger G.