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“O capitalismo não é o fim da história”

No encerramento da conferência dos 200 anos de Karl Marx, Catarina Martins defendeu a liberdade para os presos políticos catalães, falou das medidas concretizadas esta semana para mudar a lei laboral e lembrou que os combates às desigualdades “foram sempre feitos pela luta de quem afrontou o capitalismo como sistema”.
Catarina Martins no encerramento da Conferência dos 200 anos de Karl Marx, que decorreu a 24 e 25 de março, em Lisboa. Foto de António Cotrim/Lusa

A Conferência sobre os 200 anos de Karl Marx encheu por completo o auditório da Faculdade de Medicina Dentária em Lisboa durante este fim de semana. Foram várias sessões de debate sobre o legado do marxismo, “recusando análises simplistas, caricaturas ou profecias”, afirmou Catarina Martins este domingo no encerramento da iniciativa.

 

O discurso da coordenadora bloquista começou com uma referência ao “aumento da lista de presos políticos na Catalunha, ordens de Rajoy com a cumplicidade da União Europeia”. E deixou o apelo à “liberdade para os presos políticos” e a presença na concentração desta segunda-feira, às 19h, junto ao consulado espanhol em Lisboa. Para Catarina Martins, a situação na Catalunha “vai mostrando por estes dias como o neoliberalismo dispensa a democracia”.

Esta comemoração dos 200 anos de Marx “irritou muita cabeça pensante da direita”, prosseguiu Catarina, respondendo que “queremos que saibam que o capitalismo não é o fim da história e são cada vez mais aqueles que o compreendem”.

“Marx fez a primeira, e única até hoje, crítica sistémica do capitalismo. Não por acaso, se há 30 anos muitos consideravam o seu legado ultrapassado, hoje, depois da crise financeira de 2007/2008, tantos voltam a Marx para perceber o que aconteceu, o que está a acontecer. Marx é uma referência para os marxistas mas não apenas para os marxistas e essa influência persistente é o testemunho da sua centralidade”, afirmou a coordenadora do Bloco.

“Em 200 anos, os combates contra as desigualdades foram sempre feitos pela luta de quem afrontou o capitalismo como sistema”, acrescentou Catarina, dando o exemplo das “lutas pelo salário e pelo horário de trabalho, no combate ao trabalho infantil, nas lutas feministas e antirracistas, na defesa do ambiente, onde cada mudança realmente efetiva e emancipatória foi feita contra o modo de produção capitalista”.

Face ao ascenso dos movimentos assentes no ódio populista “de Trump ao fascismo de Erdogan e à extrema-direita que ganha eleições um pouco por toda a Europa”, Catarina defendeu que o projeto da esquerda passará por “fazer da indignação transformação e não permitir que ela se torne em deceção” e “a mobilização para a construção de um futuro que supere o capitalismo”.

“Finalmente, algo se mexe na legislação laboral”

Catarina destacou também no seu discurso a concretização anunciada esta sexta-feira pelo governo de algumas das medidas que já tinha consensualizado com o Bloco de Esquerda para alteração da legislação laboral: “limitações aos contratos a prazo, eliminação do banco de horas individual,  a penalização das empresas com alta rotatividade de trabalhadores, reforço da capacidade de inspeção da Autoridade para as Condições de Trabalho e algumas restrições ao recurso a trabalho temporário.”  

“Não é tudo o que os trabalhadores precisam. Claro que não. Mas são passos para chegar ao princípio legal, que tem tido mais exceções que regras, que a cada posto de trabalho permanente corresponda um vínculo efetivo. E o Bloco, que se bate há tanto por estas propostas, aqui está para exigir a sua concretização sem mais atrasos”, prometeu Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco assinalou ainda que “a grande omissão da proposta do Governo é a contratação coletiva” e lembrou que “falta ainda muito para recuperar direitos destruídos no período da troika e não há sociedade que recupere dignidade e democracia se tudo isso ficar à porta das empresas”.

Antevendo a reação patronal às alterações agora anunciadas à lei laboral, Catarina afirmou que a direita tentará “travar qualquer mudança, por pequena que seja. Estamos curiosos para ver que tragédias vão ser anunciadas”.

“Uma coisa sabemos de certeza: quando a tragédia teimar em não vir para salvar a nossa direita, o Bloco cá estará para ir mais longe”, porque “sabemos de que lado estamos: trabalhamos por quem trabalha", concluiu.

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