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Protesto em Lisboa contra “suspensão da democracia” na Catalunha

Está marcada para esta segunda-feira, 26 de março às 19h, uma concentração junto ao consulado espanhol em Lisboa. Presidente do parlamento catalão apelou a uma frente unitária pela democracia. Puigdemont foi detido este domingo na Alemanha.
Cartaz do Òmnium Cultural com as figuras detidas pela justiça espanhola sob acusação de "rebelião"

O protesto em Lisboa foi convocado nas redes sociais por um grupo de cidadãos do recém-formado Comité de Defesa da República Catalã em Lisboa e pretende mostrar “solidariedade com os presos políticos e os seus familiares e exigir a sua liberdade de forma imediata”.

“A sociedade não pode ficar de lado perante este evidente abuso de poder por parte do Governo e o Estado Espanhol, e a crescente e cada vez mais visível limitação dos direitos civis da expressão política e cultural”, diz a convocatória da concentração de dia 26 às 19h, na Avenida da Liberdade (junto ao consulado na Rua do Salitre).  

Presidente do parlamento apela a "frente unitária pela democracia"

Em Barcelona, depois da noite de manifestações de sexta-feira, que terminou com uma carga policial, o debate de sábado no parlamento já não foi o da investidura de Jordi Turull como candidato a presidente do governo. O ex-governante fora preso preventivamente na véspera e acusado de rebelião, tal como outros quatro responsáveis políticos catalães.

Em vez disso, o presidente do parlamento abriu a sessão para um debate sobre a situação criada pela acusação do Tribunal Supremo, inviabilizando pela terceira vez a escolha feita pela maioria parlamentar para dirigir a Generalitat.

Em seguida, Torrent convocou atuais e antigos deputados e membros da sociedade civil para uma sessão em pleno hemiciclo, onde fez um discurso a apelar à solidariedade de “todos os democratas de Espanha e do mundo” e à formação de uma “frente unitária em defesa da democracia e dos direitos fundamentais” para conseguir a liberdade dos presos políticos.

“A sua prisão é injusta, desnecessária, própria de um regime antidemocrático”, afirmou Torrent, citado pelo El Periodico, acrescentando que “não nos obrigaram a suspender uma investidura, o que eles fizeram foi suspender a democracia. E já chega. Só a podemos recuperar com a firmeza e unidade dos democratas”.

O discurso de Torrent mereceu aplausos da bancada da coligação que integra o Podemos catalão e que ainda há poucos dias ajudou a chumbar o nome de Turull para presidir ao governo. O seu líder, Xavier Domènech, apelou à criação de uma “frente democrática” que vá pelo menos “da CUP até ao PSC”.

Por seu lado, o líder dos socialistas catalães, Miquel Iceta, criticou a “atitude desproporcionada do poder judicial” e alertou para os riscos de um “governo dos juízes”. “Para que não governem os juízes tem de haver governo”, prosseguiu Iceta, pedindo uma maioria ampla de todos os partidos que se opõem à aplicação por Madrid do Artigo 155, que suspende a autonomia catalã desde outubro do ano passado.

Em nome da Esquerda Republicana da Catalunha, que tem o líder preso desde novembro e a secretária-geral no exílio desde sexta-feira, falou Sergi Sabrià: “O dia de ontem durará anos”, afirmou o deputado, acusando o Estado espanhol de ter “cuspido na cara de mais de dois milhões de catalães” com as prisões da véspera e a acusação de rebelião aos deputados e governantes eleitos. Sabrià lançou um aviso à bancada dos Ciudadanos: “Saibam que quando já não lhes forem úteis, eles irão atrás de vocês e esse sorriso vai gelar”.

Numa sessão em que os deputados do PP saíram da sala após o discurso do presidente do parlamento, não participando no debate, a líder dos Ciudadanos tornou-se a única voz crítica da maioria independentista, responsabilizando os seus dirigentes por “pensarem que viviam num sistema de impunidade e imunidade”. Inés Arrimadas diz representar a outra “meia Catalunha” que está triste e indignada, mas com a “loucura” do processo dirigido pela maioria pró-independência. E ainda lamentou que os deputados da maioria já não a cumprimentem os da sua bancada nos corredores do parlamento.

Justiça emite mandado de captura europeu aos exilados, Puigdemont detido na Alemanha

O juiz Pablo Larena reativou o mandado de captura europeu dirigido a Puigdemont, que tinha suspendido em dezembro por receio de que a justiça belga o negasse. O ex-governante catalão foi apanhado pela notícia na Finlândia, onde realizou sessões destinadas a internacionalizar a situação dos presos políticos. Puigdemont acabou por ser detido este domingo pela polícia alemã perto de Hamburgo no regresso à Bélgica, após cruzar a fronteira da Dinamarca com a Alemanha. O seu advogado, Jaume Alonso-Cuevillas, diz que Puigdemont estará como sempre à disposição da justiça belga, que também terá de decidir o destino de Meritxall Serret, Lluis Puig e Toni Comin, outros ex-governantes ali exilados.

Os mandados de captura seguiram também para a Escócia, onde se encontra a lecionar na Universidade de Saint Andrews a ex-responsável pela pasta da Educação do governo catalão, Clara Ponsatí, e para a Suíça, onde se encontra desde sexta-feira a secretária-geral da ERC, Marta Rovira. Já a deputada da CUP Anna Gabriel, que também se exilou na Suíça em fevereiro, não foi alvo de um mandado de detenção internacional por parte do juiz, uma vez que se encontra acusada do crime de desobediência, menos grave na moldura penal espanhola que o de rebelião, pelo qual respondem os acusados em prisão preventiva ou exilados.

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