A Marcha pela Vida Independente juntou dezenas de ativistas para combater a invisibilidade das pessoas com deficiência e lembrar que enfrentam barreiras impostas pela sociedade onde quer que vão. Este ano a luta incide também na medida do Governo que introduziu uma condição de recursos para o acesso a assistência pessoal, o que “transforma um direito humano num privilégio sujeito a contribuição”, denunciam.
Os manifestantes criticaram também a recém-aprovada Estratégia para os Direitos das Pessoas com Deficiência 2026-2030, que inclui a “promessa oca e absolutamente irrealista de aumentar o número de vagas para este serviço a 77 pessoas por ano até 2030, números completamente desfasados das nossas necessidades reais”.
Presente nesta marcha, o coordenador do Bloco de Esquerda afirmou que “o país hoje também tem de celebrar a aspiração natural de todas as pessoas que têm deficiência de que a sociedade se organize para que estas pessoas possam ter uma vida com um grau de independência que podem e devem ter”.
Entre o muito que está por fazer, José Manuel Pureza destacou que “falta criar condições do ponto de vista da assistência pessoal, da habitação, da organização do trabalho, para que estas pessoas possam ter uma vida independente”. E insistiu que “é muito importante que no Dia de Portugal se assinale também esta frente de luta pela igualdade”.
“Seguro fez a apologia das ‘palavras do meio’ mas não disse quais são”
Questionado pelos jornalistas sobre o discurso do Presidente da República na ilha Terceira, durante as comemorações do 10 de Junho, José Manuel Pureza destacou a parte final do discurso, em que António José Seguro falou da necessidade das "palavras do meio", que "se abrem como convite ao diálogo" em "tempos de trincheiras”. Para o coordenador bloquista, “Seguro fez a apologia das ‘palavras do meio’ mas não disse quais são”.
“Era muito importante que o Presidente da República desse concretização àquilo a que chamou ‘palavras do meio’”, pois caso contrário, “fica a ideia que esteja a fazer a apologia do centro, que é um centro vazio de política”, prosseguiu Pureza.
Admitindo a importância de “uma chamada de atenção para a força de palavras que nos mobilizem”, Pureza sugeriu algumas “podem servir de guia para a intervenção política”: “Estou a falar da palavra igualdade e por isso estou a falar de direitos das mulheres; estou a falar da palavra justiça e por isso estou a falar de salário e de pensão; estou a falar de futuro e por isso estou a falar de justiça climática; estou a falar de dignidade e por isso estou a falar de acolhimento dos imigrantes, antirracismo, feminismo”.
José Manuel Pureza ressalvou que o Presidente da República fez um discurso de “abertura para a intervenção política” com referências às necessidades concretas das pessoas. Também por isso, “era bom que as ‘palavras do meio’ fossem as palavras de resposta a essas necessidades concretas das pessoas”.
Prestação Social Única
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PSU: “O Governo alguma vez falará de trabalho gratuito por parte de quem tem apoios públicos de milhões?“
Os jornalistas quiseram também ouvir o coordenador do Bloco de Esquerda sobre a proposta do Governo de criar uma Prestação Social Única que obriga os beneficiários a trabalharem para instituições sociais, considerando-a “uma das evidências mais recentes da deriva do Governo para o colo da extrema-direita”.
“O Governo diz que há trabalho socialmente necessário, mas depois associa-lhe trabalho gratuito. Em vez de criar postos de trabalho para que esse trabalho seja cumprido, punem-se os pobres”, resumiu Pureza.
“O Governo alguma vez falará de trabalho gratuito por parte de quem tem apoios públicos de milhões porque há trabalho socialmente necessário para fazer? Caía o Carmo e a Trindade! Só anuncia isto porque do outro lado estão os pobres”, concluiu o coordenador bloquista.