O Governo vai substituir Gandra d’Almeida pelo economista Álvaro Almeida, figura de proa do PSD no Porto, onde foi candidato à Câmara em 2017 e vereador, cargo que acumulou com o de deputado entre 2019 e 2022.
Álvaro Almeida é mais um nome escolhido para cargos de alta responsabilidade na política de saúde com ligações ao PSD do Porto e ao líder da secção regional do Norte da Ordem dos Médicos. Entre 2005 e 2010 presidiu à Entidade Reguladora da Saúde e teve como seu vogal Eurico Castro Alves, o médico chamado pela atual ministra da Saúde para elaborar o programa de emergência do Governo para o SNS.
Em declarações à SIC Notícias, a deputada bloquista Isabel Pires considerou “muito preocupante” a nomeação de Álvaro Almeida, apontando que o economista e ex-deputado “faz parte de uma rede clientelar que este Governo instalou no SNS” e da qual fazia também parte o anterior diretor executivo agora demissionário.
“Estas decisões da ministra e do Governo estão a instalar no SNS uma rede clientelar ligada ao setor privado e ao PSD. E isso é tudo o que o SNS não precisa neste momento. Precisava sim de investimento, de urgências abertas, de investimento nos profissionais que fazem falta nos hospitais e centros de saúde”, contrapôs Isabel Pires.
Álvaro Almeida foi um dos orientadores da tese de doutoramento de Eurico de Castro Alves, realizada no ICBAS da Universidade do Porto, em 2023. O tema da tese era precisamente um dos projetos em que trabalharam juntos na ERS: o Sistema Nacional de Avaliação da Saúde (SINAS). Os outros dois orientadores eram o atual reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, que presidiu ao Conselho Científico de uma das empresas de Eurico Castro Alves no setor da saúde, a Wise HS; e Alberto Caldas Afonso, que soma já duas nomeações pelo atual Governo: em junho de 2024, para a comissão de avaliação do plano de emergência (coordenado pelo seu antigo orientando e colega na lista à secção regional do Norte da Ordem dos Médicos); no mês seguinte, para a presidência da nova Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, criada no âmbito do plano de emergência com o objetivo de reorganizar as urgências obstétricas.
Saúde
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porLuís Branco
Economista doutorado pela London School of Economics and Science, Álvaro Almeida é professor associado na Faculdade de Economia da Universidade do Porto e trabalhou para o FMI na década de 1990. Mais recentemente, já depois da passagem pela presidência da ERS, liderou durante alguns meses a Administração Regional de Saúde do Norte, de onde saiu em 2016 alegando falta de condições políticas para continuar. No ano seguinte o PSD escolheu-o para candidato à Câmara do Porto.
Nos últimos anos, Álvaro Almeida tem participado em iniciativas do think tank ultraliberal + Liberdade, quer como orador em conferências quer como autor do capítulo sobre saúde do livro editado em 2023 por este grupo defensor da privatização dos serviços públicos. No tempo do anterior governo, o economista também defendeu o recurso a centros de saúde com gestão privada - as USF modelo C - para fazer baixar o número de utentes sem médico de família, medida incluída no plano de emergência do governo, delineado por Castro Alves.