Lisboa

Moedas cede cinema São Jorge para festa de aniversário da criação de Israel

20 de maio 2024 - 11:24

Enquanto decorre o genocídio em Gaza, Carlos Moedas decidiu apoiar a festa dos 76 anos da criação do Estado de Israel promovida pela embaixada. Vereadora Beatriz Gomes Dias questiona Moedas e defende retirada do apoio. “Genocídio não é cultura”, diz Comité de Solidariedade com a Palestina, que convoca uma concentração na quarta-feira às 18h em frente ao cinema São Jorge.

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Carlos Moedas
Carlos Moedas a dar o tiro de partida para a Meia Maratona de Lisboa. Foto CML/Facebook

A Câmara Municipal de Lisboa cedeu o espaço do Cinema São Jorge para a embaixada israelita celebrar o aniversário dos 76 anos da criação do Estado de Israel. Para o Comité de Solidariedade com a Palestina, o evento não passa de “uma campanha de charme e de propaganda que visa branquear os crimes sionistas”.

“Por ‘independência’, a embaixada de Israel refere-se na verdade a 76 anos de limpeza étnica da Palestina, iniciados em 1948 com a Nakba; 76 anos de espoliação, repressão e apartheid, ao fim dos quais assistimos agora em direto e com total impunidade a um genocídio”, acrescenta o Comité, lembrando que “genocídio não é cultura” e que há dois anos a festa ocorreu no dia do assassinato da jornalista Shireen Abu Akleh pelas tropas ocupantes. “Enquanto o mundo reagia em choque a tão bárbaro ato, o embaixador israelita em Lisboa erguia taças de champanhe com os convidados de ocasião entre insultos à Amnistia Internacional que, meses antes, havia declarado Israel um estado de apartheid”, recordam, concluindo que “não podemos aceitar que a CML e a EGEAC se tornem cúmplices destes crimes, acolhendo nos seus espaços a celebração dos mesmos, pelo Estado que os comete com total impunidade”.

Esta segunda-feira, dia em que o Tribunal Penal Internacional anunciou o pedido de mandados de captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa Yoav Gallant, por vários crimes de guerra, o Comité de Solidariedade com a Palestina afirma que estes crimes estão “a decorrer enquanto terá lugar esta “celebração” num espaço público pago pelos contribuintes”. Por isso, convocou uma concentração de protesto junto ao cinema São Jorge para esta quarta-feira, 22 de maio, a partir das 18h.

Este domingo, a vereadora bloquista Beatriz Gomes Dias entregou um requerimento dirigido a Carlos Moedas, pedindo que este apoio seja retirado. O Bloco de Esquerda considera esta situação “inaceitável visto que há mais de sete meses que Israel está a levar a cabo um genocídio em Gaza que, de acordo com as Nações Unidas, já matou mais de 34 mil palestinianos, incluindo 7797 crianças e 4959 mulheres”.

“É impossível de aceitar que Lisboa acolha uma celebração promovida pela Embaixada de Israel num momento em que esse Estado está a perpetrar um genocídio em Gaza. Pelo contrário, a CML deve demonstrar a sua solidariedade para com o povo palestiniano e condenar o massacre em Gaza”, defendeu a vereadora do Bloco.

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