Em comunicado, o Sindicato dos Médicos do Norte volta a denunciar a decisão do Governo de transferir dois hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) — Santo Tirso e São João da Madeira - para as misericórdias locais. Os médicos afirmam que estes dois hospitais “estão a ser empurrados para fora da esfera pública à porta fechada, sem explicações, sem garantias e sem respeito pelos utentes e pelos profissionais de saúde”.
“Esta transferência para as misericórdias locais não é uma decisão técnica: é uma opção política do governo de Montenegro que fragiliza o SNS e desresponsabiliza o Estado das suas obrigações constitucionais, depois da reabilitação e modernização de partes significativas destes hospitais com investimento público”, prossegue o comunicado, denunciando “uma operação conduzida na opacidade, marcada pelo silêncio do Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, e pela ausência de informação por parte dos Conselhos de Administração da ULS do Médio Ave e da ULS de Entre Douro e Vouga”.
Segundo o sindicato, nesta operação ainda não é conhecido “quem decide, em que moldes, com que prazos e com que garantias para os profissionais e utentes”. E também não se sabe qual é o compromisso público com a manutenção dos serviços, o plano assistencial ou os direitos laborais dos médicos. Tudo somado, a situação “revela improviso, irresponsabilidade e desrespeito pelas populações servidas por estes hospitais”, que acabaram transformados em “moeda de troca política”.
São João da Madeira
Misericórdia negoceia futuro do hospital “às escondidas dos sanjoanenses”
A contestação ao plano do Governo para entregar a gestão destes hospitais juntou utentes e profissionais de saúde no último ano. Os protestos chamaram a atenção para o recente investimento público de milhões de euros na modernização destes hospitais e alertam que onde esta migração já foi feita, em Fafe e em Serpa, isso resultou no “desaparecimento de serviços que eram prestados e o agravamento da precarização laboral” de que trabalha. No caso de Serpa, “o serviço de urgência passou a ter períodos de encerramento, posteriormente revertidos após a morte de um utente sem assistência”.