Médicos acusam Governo de “empurrar” mais dois hospitais para fora do SNS

08 de janeiro 2026 - 11:19

Sindicato dos Médicos do Norte diz que a transferência dos hospitais de São João da Madeira e Santo Tirso para as misericórdias locais após o investimento público na sua modernização é uma “operação conduzida na opacidade”.

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Ação de campanha do Bloco de Esquerda em defesa do Hospital de São João da Madeira
Ação de campanha do Bloco de Esquerda em defesa do Hospital de São João da Madeira. Foto Bloco SJM

Em comunicado, o Sindicato dos Médicos do Norte volta a denunciar a decisão do Governo de transferir dois hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) — Santo Tirso e São João da Madeira - para as misericórdias locais. Os médicos afirmam que estes dois hospitais “estão a ser empurrados para fora da esfera pública à porta fechada, sem explicações, sem garantias e sem respeito pelos utentes e pelos profissionais de saúde”.

“Esta transferência para as misericórdias locais não é uma decisão técnica: é uma opção política do governo de Montenegro que fragiliza o SNS e desresponsabiliza o Estado das suas obrigações constitucionais, depois da reabilitação e modernização de partes significativas destes hospitais com investimento público”, prossegue o comunicado, denunciando “uma operação conduzida na opacidade, marcada pelo silêncio do Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, e pela ausência de informação por parte dos Conselhos de Administração da ULS do Médio Ave e da ULS de Entre Douro e Vouga”.

Segundo o sindicato, nesta operação ainda não é conhecido “quem decide, em que moldes, com que prazos e com que garantias para os profissionais e utentes”. E também não se sabe qual é o compromisso público com a manutenção dos serviços, o plano assistencial ou os direitos laborais dos médicos. Tudo somado, a situação “revela improviso, irresponsabilidade e desrespeito pelas populações servidas por estes hospitais”, que acabaram transformados em “moeda de troca política”.

A contestação ao plano do Governo para entregar a gestão destes hospitais juntou utentes e profissionais de saúde no último ano. Os protestos chamaram a atenção para o recente investimento público de milhões de euros na modernização destes hospitais e alertam que onde esta migração já foi feita, em Fafe e em Serpa, isso resultou no “desaparecimento de serviços que eram prestados e o agravamento da precarização laboral” de que trabalha. No caso de Serpa, “o serviço de urgência passou a ter períodos de encerramento, posteriormente revertidos após a morte de um utente sem assistência”.

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