O ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz defendeu na quarta-feira que a greve dos trabalhadores da CP tem motivações políticas e eleitorais. Esta quinta-feira, Luís Montenegro repetiu a insinuação e até deixou ameaças de limitar o direito à greve se a AD continuar no Governo.
Em comunicado, o Sindicato dos Maquinistas responde às palavras do ministro, afirmando que “a tentativa do Governo de associar esta luta a motivações eleitorais é absurda”. O sindicato explica que a marcação da greve ”foi consequência direta da recusa do Governo e da administração da CP em aplicar, dentro dos prazos acordados, as cláusulas salariais e profissionais definidas entre sindicatos e empresa”.
Ou seja, “se a greve acontece neste momento, é porque o incumprimento aconteceu agora” e “os trabalhadores não podem ser responsabilizados pelo calendário político”, acrescentam.
Os maquinistas dizem ainda que “os valores previstos no acordo rejeitado pelo Governo estão devidamente orçamentados” e que “não se trata de um novo encargo ou de uma medida improvisada”. E não aceitam o argumento do Governo de que está em gestão e não pode cumprir o que foi acordado, pois não há qualquer limitação legal à sua ação neste contexto.
“Governo não pode querer os méritos da negociação e depois fugir às suas responsabilidades na aplicação”
Quanto ao anúncio de Pinto Luz de que apresentou uma proposta de cinco milhões de euros de aumentos salariais e foi rejeitada pelos sindicatos, o Sindicato dos Maquinistas diz que “desses cinco milhões, dois milhões já foram consumidos com as atualizações salariais impostas pelo Governo, as quais resultaram em aumentos muito abaixo dos 56,50€ atribuídos como patamar mínimo à generalidade da Administração Pública”. E os restantes três milhões, divididos pelos trabalhadores da CP, representam um aumento de 1,78 euros por dia, o que consideram “inaceitável”.
“O que os trabalhadores exigem não são esmolas nem operações de propaganda: é o cumprimento integral dos acordos assinados. O Governo não pode querer os méritos da negociação e depois fugir às suas responsabilidades na aplicação”, concluem os maquinistas.
A greve dos maquinistas é total esta quinta e sexta-feira e prossegue depois até ao dia 14 de maio apenas ao trabalho suplementar e em dia de descanso semanal.