Pelo segundo dia, a adesão à greve na CP foi de 100%, com os trabalhadores a exigirem que seja cumprido o acordo a que chegaram com a administração da empresa e que depois o Governo se recusou a dr aval, alegando que estava em gestão. Na quarta-feira, o ministro Pinto Luz tinha acusado os sindicatos de recorrerem à greve por motivos políticos em véspera de eleições. Esta quinta-feira, Luís Montenegro insistiu que existem “influências políticas e partidárias e eleitorais” por detrás da paralisação e depois foi mais longe ao ameaçar que “nós um dia vamos ter de pôr cobro a isto”.
Questionado pelos jornalistas, o líder do PSD em campanha disse primeiro que “o direito à greve não está em causa”, mas depois falou “num mecanismo” a criar pelo seu Governo que impeça as greves de produzirem o seu efeito. “Eu acho que nós devemos conciliar o direito à greve com o exercício dos outros direitos das pessoas. O direito à greve não pode ter uma prevalência tal que o país para, literalmente”, afirmou Montenegro, citado pela agência Lusa.
Em resposta às acusações de influências partidárias feitas na véspera por Pinto Luz, o líder da Fectrans disse que “o ministro tem de ter em conta que nós estamos a reivindicar um acordo que foi feito e, até nas palavras dele, sustentado nas posições do ministério. Esse acordo foi feito no dia 24 de abril, não se percebe porque é que dois dias depois, a CP diz que não o pode aplicar porque não tem aval do ministro”.
Por isso, acrescentou José Manuel Oliveira, das duas uma: ou Pinto Luz “estava de má fé”, ou não sabia que pelo facto de o Governo estar em gestão, não iria poder dar aval ao acordo que a administração da CP apelidou de “histórico”. Na última reunião com os trabalhadores, Pinto Luz terá dito que encontrou um “alçapão na lei” que permitia autorizar a CP a implementar uma parte do acordo, correspondendo a 5,7 milhões de euros.
“Se os juristas conseguem encontrar ‘alçapões’ para isso, também podem encontrar ‘alçapões’ para garantir que, independentemente daquilo que vier a acontecer no próximo quadro eleitoral, os trabalhadores, no mínimo, têm garantias que aquilo que já foi acordado, que as expectativas que foram criadas, que o trabalho que foi feito pela administração e pelos sindicatos, não tenha de voltar à estaca zero”, afirmou o sindicalista à agência Lusa.
Nesta greve, os sindicatos contestam a imposição de aumentos salariais que não repõem o poder de compra, além da implementação do acordo de restruturação das tabelas salariais que foi negociado e acordado entre administração e sindicatos.