A comissão coordenadora regional do Bloco de Esquerda da Madeira, recém-eleita na convenção do passado domingo, reuniu-se este sábado para eleger a comissão política regional e analisar a situação política regional.
Em comunicado, a direção do Bloco na Madeira defende que, perante a “grave crise democrática que se vive na Madeira, a gravidade dos indícios existentes, que são públicos”, e a total perda de credibilidade da coligação PSD/CDS para governar, “a única alternativa aceitável é voltar a dar a voz ao povo”.
“Entendemos que mudar o rosto que dirige o Governo não altera o clima de suspeição que atinge toda uma governação”, aponta o Bloco, considerando que “são várias secretarias que estão sob investigação”.
Conforme assinala a estrutura regional do partido, “é todo um regime, que teve a sua criação com Alberto João Jardim, que está em causa”.
No documento, o Bloco repudia o “regime de promiscuidade entre os setores público e privado, de claro favorecimento de determinados grupos económicos, que determinam a ação governativa e que têm promovido o empobrecimento da população”. E acusa todo o Governo Regional de agir “como facilitador de negócios” e de não defender “o interesse público e os interesses dos madeirenses e porto-santenses”.
O partido lembra que, desde há décadas, tem denunciado “as negociatas, as obras megalómanas e desnecessárias” e o “atirar ao mar de milhões de euros do dinheiro público”.
Sobre o posicionamento do PAN, que sustenta o Governo Regional PSD/CDS com um acordo de incidência parlamentar, a direção do Bloco na Madeira lamenta que, “por mero oportunismo político”, o partido “continue a dar a mão e a perpetuar todo um regime e teia de interesses que têm prejudicado o interesse público e empobrecido os madeirenses e porto-santenses”.
“Por coerência política e pela semelhança dos indícios que foram tornados públicos e que abrangem parte significativa da vereação em funções, defendemos a realização de eleições intercalares para o órgão executivo da Câmara Municipal do Funchal”, reforçam os bloquistas.