Apesar de ter um novo alvo em terras libanesas, o governo israelita prossegue o genocídio em Gaza, com o cerco da população no norte da Faixa acompanhado de intensos bombardeamentos aéreos sobre zonas residenciais e as poucas infraestruturas de saúde que restam. Esta noite um bombardeamento sobre dez edifícios residenciais no campo de refugiados de Jabalia deixou mais de 150 mortos e feridos, segundo a agência Wafa. Como habitualmente, refere a agência de notícias palestiniana, o exército israelita tentou impedir a chegada de ambulâncias e médicos e disparava contra quem tentava retirar sobreviventes dos escombros. Enquanto prosseguem os bombardeamentos aéreos e os ataques dos soldados no terreno, auxiliados pelo uso intensivo de drones para perseguir e disparar contra a população, as forças israelitas continuam a impedir a entrada de água, comida e medicamentos ao norte da Faixa.
Na noite de quinta-feira, as tropas israelitas cercaram o hospital Kamal Adwan, a norte de Jabalia, um dos maiores que permanece em funcionamento naquela região. Os tanques dispararam contra o edifício, causando graves estragos na Unidade de Cuidados Intensivos e na distribuição de oxigénio aos feridos mas também às incubadoras. Segundo a Al-Jazeera, este hospital declarou a rotura de material e tem o armazém vazio. Esta manhã as tropas acabaram por entrar no hospital e obrigaram médicos e doentes a sair do edifício, muitos deles em macas, e fazendo detenções em massa. Um dos detidos levados para parte incerta é o jovem ativista Abdul Rahman, com mais de 3,5 milhões de seguidores no Instagram.
No centro da Faixa de Gaza, o massacre prosseguiu esta quinta-feira no campo de Nuseirat, com o bombardeamento de uma escola transformada em abrigo. Como é hábito, Israel diz ter atingido um centro de comando do Hamas, enquanto a imprensa regista que quase todos os mortos neste ataque, pelo menos 17 pessoas, foram mulheres e crianças.
Mais a sul, vários ataques das tropas israelitas em Khan Younis mataram pelo menos 38 palestinianos, dos quais 14 eram crianças. Segundo a Al-Jazeera, testemunhas no local dizem que não houve aviso prévio para a evacuação das zonas atingidas.
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Também sem aviso de evacuação, por volta das quatro horas da madrugada, o mesmo se passou no complexo habitacional onde estão alojados jornalistas em Hasbaiyya, no sul do Líbano, relata o jornalista da Al-Jazeera Imran Khan, ainda sem perceber se foi um ataque aéreo ou de drones que atingiu o local onde dormiam três camaradas de profissão. Dois pertenciam ao canal televisivo libanês Al Mayadeen e o terceiro era um fotógrafo da estação al-Manar.
Genocídio
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O ministro da informação do Líbano considerou este ataque “um crime de guerra”. Para Ziad Makary, “o inimigo israelita esperou pelo descanso noturno dos jornalistas para os atraiçoar no seu sono… Isto é um assassinato, após monitorização e seguimento, com planeamento antecipado, pois havia ali 18 jornalistas de sete órgãos de comunicação”.
Além dos bombardeamentos não darem descanso nos subúrbios de Beirute, a aviação israelita atingiu também mais um posto fronteiriço entre o Líbano e a Síria, deixando a passagem intransitável. Sobra agora apenas uma passagem entre os dois países por onde já passaram centenas de milhares de pessoas deslocadas pelos bombardeamentos de Israel.