Gaza

Nova ofensiva israelita deixa 400.000 civis encurralados

11 de outubro 2024 - 12:06

O exército sionista atingiu mais uma escola em Gaza, matando pelo menos 28 pessoas. A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU denuncia "uma política concertada para destruir o sistema de saúde de Gaza"e fala em “crimes contra a humanidade”.

PARTILHAR
Palestiniano reage à destruição de mais uma escola em Gaza.
Palestiniano reage à destruição de mais uma escola em Gaza. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.

Philippe Lazzarini, o dirigente da UNRWA, Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, denunciou na sua conta do X que a mais recente ofensiva do exército israelita, desta vez sobre o campo de refugiados de Jabaliya, deixa “pelo menos 400.000 pessoas encurraladas na zona”.

O responsável da ONU acrescenta que muitas das pessoas se estão a recusar a voltar a fugir “porque sabem muito bem que nenhum lugar em Gaza é seguro” depois de já terem sido obrigadas a sair de várias áreas.

Na passada quarta-feira, pelo menos 60 pessoas foram assassinadas pelo exército israelita em Gaza, entre as quais três jornalistas. Há testemunhas, escreve o Guardian, de muitos corpos nas ruas sem serem recolhidos por causa de uma intensificação dos combates que vai no seu nono dia.

Isto está a obrigar, segundo Lazzarini, a encerramento de vários abrigos e serviços da UNRWA, a comprometer a distribuição de alimentos, numa altura em que a fome alastra, sobretudo no norte do território, e a impedir a segunda fase da vacinação contra a poliomielite.

Outro organismo da ONU, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas, anunciou em comunicado que “Israel tem levado a cabo uma política concertada para destruir o sistema de saúde de Gaza como parte de um ataque mais amplo a Gaza”. Estará assim a atacar deliberadamente as instalações de saúde existentes e a matar e torturar pessoal médico. Os investigadores falam em “crimes contra a humanidade”.

E até o maior aliado do Estado sionista, os EUA, considera que se vivem “condições catastróficas” na Faixa de Gaza e apela, nas declarações da sua embaixadora na ONU, Linda Thomas-Greenfield, ao fim da “intensificação do sofrimento” que implicam as limitações das atividades de ajuda humanitária. Tudo isto, afirma, “deve mudar e agora”, ao mesmo tempo que o seu país continua a ser o principal fornecedor de armas para o genocídio.

Mais uma escola atingida em Gaza

As notícias desta quinta-feira são que Israel atingiu mais uma escola, desta vez a de Rufaida, tendo, pelo menos, morto 28 palestinianos e ferido 54 de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. As vítimas ainda estão a chegar ao hospital de Al-Aqsa Hospital em Deir el-Balah. Para além disso, sabe-se ainda de mais quatro mortos em Khan Younis e três no campo de refugiados de Jabalia.

O total de vítimas mortais dos ataques israelitas num ano chega agora às 42.065, sem contar com os desaparecidos, e há 97.886 feridos.