Palestina

Israel mata dezenas em escola da ONU, Espanha junta-se a processo no TIJ

06 de junho 2024 - 12:15

Bombardeamento de uma escola gerida pela ONU no campo de refugiados de Nuseirat fez mais de 40 mortos, entre os quais 14 crianças. Netanyahu ameaça reforçar ataques na fronteira com o Líbano. Diplomacia espanhola quer fornecer elementos para ajudar o Tribunal Internacional de Justiça a decidir no processo sobre os crimes de guerra em Gaza.

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Escola da ONU no campo de refugiados de Nuseirat destruída por Israel.
Escola da ONU no campo de refugiados de Nuseirat destruída por Israel. Foto de MOHAMMED SABER/Lusa.

Uma escola da Organização das Nações Unidas no campo de refugiados de Nuseirat foi bombardeada por Israel, matando pelo menos 40 pessoas e deixando dezenas de outras feridas a serem tratadas no hospital dos Mártires de Al-Aqsa em Deir el-Balah. Segundo as autoridades de Gaza, 14 das vítimas mortais são crianças. As imagens do local mostram muitos corpos nas imediações das instalações prontos para serem enterrados.

Tareq Abu Azzoum, da Al Jazeera, disse que as famílias que estão no hospital confirmaram que não houve qualquer aviso prévio do ataque.

Israel reconheceu, através do seu porta-voz Peter Lerner, que foram os seus caças que fizeram o ataque e como sempre justificou-o referindo a presença do Hamas na zona, sem mostrar quaisquer provas disso. Na conferência de imprensa disse ainda não estar ciente da existência de vítimas civis.

Na zona leste de Deir el-Balah continuam bombardeamentos constantes, segundo várias das agências noticiosas internacionais. No sul do distrito de Rafah continua também o avanço para os centros urbanos principais. E no norte um dos principais alvos do dia é o bairro de Zeitoun que já tinha sofrido duas incursões militares.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ameaça agora também uma “operação muito intensa” na fronteira com o Líbano onde os ataques ao Hezbollah se têm mantido ao longo dos últimos seis meses. E alega ter destruído durante a madrugada “uma instalação de armazenamento de armas”.

Espanha quer que caso no TIJ contribua para acabar com a guerra

Esta quinta-feira, Jose Manuel Albares, ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, anunciou que o seu país se iria juntar ao caso que a África do Sul apresentou em janeiro no Tribunal Internacional de Justiça contra Israel por genocídio na Faixa de Gaza.

Na conferência de imprensa, o governante justificou este passo com a continuação das operações militares em Gaza e acrescentou que há “enorme preocupação com uma extensão regional do conflito”. Espera-se que este avanço judicial contribua para “acabar com a guerra e avançar no caminho de aplicar uma solução de dois Estados”.

Alega ainda que Espanha “não tem padrões duplos” e por isso está igualmente envolvida nos casos relativos à guerra da Ucrânia.

Contudo, o executivo espanhol ressalva que se junta ao caso, mas fá-lo apenas apresentando “elementos interpretativos para ajudar o tribunal na hora de chegar a uma sentença” e apoiando o trabalho do tribunal, “muito especialmente as medidas cautelares que têm que se aplicadas”. Isso, afirma-se, não significa apoio a nenhuma das partes envolvidas.

Bem mais veemente na sua posição foi a vice-presidente do Governo, Yolanda Díaz, que escreveu na rede social X que há um “genocídio de Netanyahu” e  encerrou um discurso com a frase “do rio até ao mar, a Palestina será livre”.

Entretanto, as autoridades locais estimam que, desde outubro, já foram assassinadas 36.586 pessoas pelo Estado sionista naquele território, sem contar com aquelas que estão dadas como desaparecidas. O número de feridos ascende a 83.074. de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, 25.000 delas precisariam de sair do território para serem tratadas mas, desde 12 de maio, a fronteira de Rafah está fechada e nenhuma delas conseguiu passar. Numa declaração, o organismo vinca que “isto expõe as vidas de milhares a complicações evitáveis e à morte”. As agências da ONU confirmaram ainda esta quinta-feira que se a guerra continuar, no próximo mês a fome atingirá mais de um milhão de pessoas. E a Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos acrescenta outro perigo no horizonte: com a chegada do calor e com a falta de água potável no território cresce a preocupação que a cólera se dissemine.