O Estado israelita rompeu o cessar-fogo na noite de segunda-feira, bombardeando fortemente o norte da Faixa de Gaza. Por volta da meia-noite (hora de Lisboa), foram registadas várias explosões apesar do acordo de cessar-fogo entre o Hamas e Israel. Pouco depois, o exército israelita admitiu estar a atacar “alvos do Hamas ao longo da Faixa de Gaza”. Os bombardeamentos causaram pelo menos 400 mortos.
A eurodeputada do Bloco de Esquerda reagiu aos ataques, sublinhando que Israel quebrou o cessar-fogo e “bombardeou um povo sem comida, água, eletricidade, sem hospitais, escolas, casas”. “É genocídio”, escreveu Catarina Martins nas redes sociais. “Não o reconhecer é ser cúmplice”.
Um dos alvos dos bombardeamentos foi a área de Mawasi, onde vários palestinianos, desalojados devido aos ataques israelitas, pernoitavam. A cidade de Gaza também foi alvo de ataques intensos, com mais de 35 ataques aéreos em menos de meia hora, dificultando a ajuda médica aos feridos. Passadas algumas horas, os tanques israelitas abriram fogo sobre a cidade de Abasan, no sul de Gaza, sinalizando o perigo real de uma invasão terrestre por parte do exército de Israel.
Pouco a pouco, o Estado israelita começou a fornecer informações sobre os ataques. Primeiro através do gabinete do primeiro-ministro, depois através dos próprios ministros. O ministro da Defesa afirmou que Israel iria abrir “as portas do inferno” sobre Gaza, enquanto o embaixador de Israel para as Nações Unidas garantiu que os bombardeamentos continuarão até que todos os reféns sejam libertados. O ministro das Finanças também tomou a palavra para garantir que estes ataques estavam planeados desde o início do mês.
Segundo a Al Jazeera, o presidente estadunidense estava a par dos ataques israelitas antes de acontecerem. Os ataques na Palestina surgem ao mesmo tempo que as forças armadas estadunidenses bombardeiam os rebeldes Houthi no Yemen.
O mesmo jornal dá conta de que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, cancelou o agendamento do seu testemunho num julgamento sobre corrupção sobre o pretexto dos “desenvolvimentos de segurança” relacionados com os bombardeamentos em Gaza que o próprio ordenou. Netanyahu enfrenta acusações de suborno, fraude e abuso de confiança.
O principal grupo de representantes das famílias dos reféns israelitas disse que o governo de Netanyahu “escolheu desistir das vidas dos reféns” ao reiniciar os ataques na Faixa de Gaza. Os Países Baixos, Malta, a Bélgica, a Turquia e a Suíça já reagiram aos ataques, exigindo um fim da violência e um retorno imediato a um cessar-fogo.