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Hospitais privados cobram a utentes o equipamento de proteção dos seus profissionais

Os valores cobrados chegam a ser superiores ao das próprias consultas. Há denúncias de hospitais onde os mesmos equipamentos de proteção individual servem para atender os doentes seguintes, que o pagam à mesma como se fosse novo.
fatura hospital
Foto de SIC Notícias

Vários hospitais privados estão a cobrar aos seus utentes os equipamentos de proteção individual (EPI) utilizados pelos profissionais de saúde durante os atendimentos. De acordo com uma notícia avançada pelo Correio da Manhã, esta situação foi reportada numa das instalações da Lusíadas Saúde e o mesmo acontece nos hospitais CUF. Há casos em que o valor a pagar pelos EPI ultrapassa o próprio valor do atendimento.

O Correio da Manhã teve acesso a uma fatura, referente a uma urgência pediátrica, de 17 de Abril, numa das instalações do grupo Lusíadas Saúde, onde constam os seguintes elementos: “capa para o sapato plástico”, “máscara respiratória FFP2”, bata impermeável com punho elástico” e “luva nítrico sem pó”. O total destes equipamentos soma 86,12 euros, mais 26,12 euros do que o valor da própria consulta, que está tabelado em 60 euros.

Outro caso, também reportado pelo mesmo jornal, dá conta de uma situação semelhante na Urgência da CUF Cascais. Desta vez o hospital cobrou 19,55 euros pela consulta e 20 pelo EPI. No caso dos hospitais da CUF existe uma circular interna que obriga todas as unidades à cobrança dos EPI no caso de pacientes “não Covid”, afirma o jornal, que teve acesso ao documento.  Este valor é pago logo na admissão do doente, de acordo com uma tabela que inclui cinco tipos de equipamento, de acordo com o tipo de atendimento previsto.

Caso se trate de um exame não invasivo, o valor tabelado para o EPI é de 10 euros, mas caso exija uma intervenção do âmbito Gastro, Pneumologia e Urologia, o valor já sobe para os 42 euros. O mesmo acontece para as situações de internamento, às quais passam a acrescer 15 euros ao preço da estadia. Esta despesa acrescida serve, de acordo com a notícia do Correio da Manhã, para o fornecimento de duas luvas e uma máscara para seis profissionais de saúde.

Utentes acusam hospitais de cobrar EPI para mais que uma utilização

Numa reportagem da SIC Notícias, na qual são entrevistados vários utentes que se dirigiram a instalações do grupo CUF, estes acusam o hospital de não substituir o EPI depois de cada atendimento, tornando ainda mais desnecessária a despesa apresentada. “Quando eu volto, efetivamente, a senhora doutora estava a fazer atendimento a outra pessoa, mas o fardamento, a roupa, era a mesma. O mesmo fato verde, a mesma máscara, e sem luvas”, diz um utente.

Estes equipamentos não estão a ser comparticipados pelas companhias de seguros, pelo que os hospitais não estão a suportar os seus custos, imputando-os aos utentes.

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