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“Haja a coragem de usar a CGD para forçar toda a banca nacional a defender as famílias”

Pedro Filipe Soares lamentou que PS, PSD, Chega e IL se juntem para defender os banqueiros e os lucros da banca feitos às custas das famílias portuguesas. Bloco quer usar margem da CGD para baixar a taxa de juro cobrada em 1,5 pontos percentuais, aliviando o esforço das famílias.
Pedro Filipe Soares. Foto de Ana Mendes.

No âmbito da reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República sobre os lucros da banca, Pedro Filipe Soares afirmou que basta olhar para as contas de 2023 dos principais bancos portugueses para perceber o que significa, na prática, o “tremendo aumento” dos lucros da banca anunciado pela comunicação social ainda há dias.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda lembrou os lucros de três dos cinco dos maiores bancos. O Santander teve um lucro de 1.030 milhões de euros em 2023, o que representa um aumento de 70% face ao ano anterior. Já o Novo Banco lucrou 743 milhões de euros, mais 83% em comparação com 2022. Por sua vez, o BPI amealhou 524 milhões de euros, o equivalente a um aumento de 42% em relação ao ano anterior.

Dois dos maiores bancos ainda não apresentaram as suas contas, mas os “indícios demonstram que vão todos no mesmo caminho”, já que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BCP apresentavam, até setembro do ano passado, lucros de 987 milhões e 651 milhões de euros, respetivamente.

Conforme sublinhou Pedro Filipe Soares, é expectável que, no seu resultado da atividade de 2023, a banca apresente mais de 5.000 milhões de euros de lucros, cerca de 2% do PIB, ou seja da riqueza nacional.

O dirigente bloquista assinalou ainda que estes lucros extraordinários não se deveram a qualquer inovação ou aumento de eficiência, e que, inclusive, a responsabilidade social da banca ficou mais diminuta, já que foram cortados centenas de postos de trabalho.

Pedro Filipe Soares explicou que esta situação se deve à margem financeira dos bancos, ou seja, à diferença entre os juros que cobram pelos empréstimos e os juros que pagam pelos depósitos.

“Quando a banca portuguesa paga muito menos pelos depósitos do que a banca europeia – o equivalente a 70% abaixo do que paga a média europeia - está uma parte da equação explicada”, apontou o líder parlamentar do Bloco.

Pedro Filipe Soares acrescentou que "a banca já se faz cobrar mais do que a banca europeia” pelos empréstimos.

Ainda que os bancos aleguem que a responsabilidade é da União Europeia, “dizem as contas que é a usura da banca nacional que faz com que tenha subido 45%” o pagamento das prestações dos créditos à habitação, frisou o dirigente bloquista.

A título de exemplo, Pedro Filipe Soares referiu que um empréstimo de 150 mil euros por 30 anos, aumentou no último ano e meio de 265 euros mensais.

“Tudo para pagar lucros extraordinários da banca”, indicou o líder parlamentar do Bloco, enfatizando que estamos perante “um abuso, um insulto ao país”.

E, no que toca à CGD, a situação “é exatamente igual”, o que leva Pedro Filipe Soares a afirmar que se prova “a insensibilidade social da banca nacional mas também a insensibilidade social do Governo do Partido Socialista”.

O dirigente do Bloco lamenta que PS, PSD, Chega, IL tenham rejeitado a proposta do Bloco para taxar lucros extraordinários da banca e direcionar o resultado dessa taxação para ajudar a pagar os créditos à habitação.

“Juntaram-se para defender os banqueiros e defender os lucros feitos às custas das famílias portuguesas”, acusou.

Pedro Filipe Soares reforçou a proposta deixada por Mariana Mortágua no debate com o líder do PSD, Luís Montenegro.

“Se nós usarmos a margem de CGD para baixar a taxa de juro cobrada em 1,5 pontos percentuais, um crédito de 150 mil euros a 30 anos poderá ter uma redução de encargos de 1.600 euros por ano”, exemplificou.

E, conforme indicou Pedro Filipe Soares, as famílias poderão sempre mudar para a CGD caso os outros bancos não garantam as mesmas condições.

Sobre o argumento de Luís Montenegro de que a proposta coloca em causa a atividade bancária, o dirigente bloquista destacou que a afirmação é falsa, adiantando que o que coloca a atividade bancária em risco é a margem financeira especulativa.

“Haja a coragem de usar a CGD para forçar toda a banca nacional a defender as famílias”, rematou Pedro Filipe Soares.

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