Autárquicas

Unidos por Portimão: Coligação quer responder à “catástrofe social de falta de casas para morar”

08 de outubro 2025 - 13:15

João Vasconcelos encabeça a candidatura que junta o Bloco, Livre e muitos cidadãos independentes. O antigo vereador bloquista diz que a coligação é a única força que quer travar os megaprojetos imobiliários de luxo que vão trazer mais atentados ambientais a Portimão.

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Unidos por Portimão em campanha
Unidos por Portimão em campanha.

O Esquerda.net acompanhou João Vasconcelos no início do período oficial de campanha a uma visita à associação A Rocha, que tem defendido a Ria de Alvor do apetite dos interesses imobiliários. O cabeça de lista da coligação Unidos por Portimão falou-nos do balanço do últimos quatro anos de governação do PS e das propostas que a coligação traz à campanha.

Qual o balanço dos últimos quatro anos de gestão autárquica em Portimão?

O balanço é negativo. Enquanto havia lá um vereador do Bloco, estava sempre em cima dos acontecimentos, das resoluções e medidas que o executivo queria implementar. E muitas delas acabavam por não ir para a frente, como o projeto imobiliário que estava previsto para a ria de Alvor, foi com a nossa intervenção e a força da cidadania que não foi para a frente. A esquerda deixou de estar presente na vereação, acabou por ir para lá o Chega, que tem votado a favor de muitas propostas do executivo PS. É muito importante que possamos reconquistar esse lugar e se possível ir mais além para podermos acompanhar com mais acuidade os problemas de Portimão, como a habitação, a mobilidade ou os espaços verdes.

E quais as perspetivas para os próximos quatro anos na cidade?

O PS governa os destinos do concelho de Portimão há 49 anos, quase meio século. É evidente que muitas coisas positivas foram feitas - seríamos injustos se não o disséssemos - mas persistem muitas lacunas, muitos erros foram cometidos que o executivo PS não devia ter cometido, favoráveis à especulação imobiliária, aos interesses, ao clientelismo, à mexicanização da vida política local. Muitas propostas da oposição são aprovadas nos órgãos municipais mas não são colocadas em prática. Se continuar, será mais do mesmo. Temos grandes projetos imobiliários a avançar no concelho de Portimão, na zona da Rocha vão ser construídos mais de 800 fogos, apartamentos de luxo e para a especulação, o que será uma catástrofe ambiental. Portimão não tem capacidade estrutural para aguentar toda essa pressão humana e imobiliária. Tanto o PS como o PSD, CDS, IL e Chega defendem esses projetos. Somos a única força política que defende a revogação desses projetos feitos a coberto dos chamados direitos adquiridos que são uma falácia.

E quais são as prioridades da coligação Unidos por Portimão para os próximos quatro anos?

Somos uma coligação que junta o Bloco de Esquerda, o Livre e mais de 90% de pessoas independentes. Uma das prioridades é a questão da habitação. Existe uma catástrofe social de falta de casas para morar no concelho. Defendemos a criação de uma bolsa de emergência habitacional para ter em conta as pessoas que vivem com mais dificuldades, sem habitação ou em casas degradadas. Queremos mais investimento em habitação pública e limitar o alojamento local para que o rácio não vá além dos 2,5%, com regulação e limitação que incida sobre aquelas grandes empresas com muitos fogos e não o pequeno proprietário que tem um ou dois alojamentos locais.