Ao início da manhã desta quarta-feira, novamente em águas internacionais, as forças armadas israelitas intercetaram ilegalmente os barcos da nova flotilha que se dirigiam a Gaza com ajuda humanitária.
O governo sionista confirma o ataque e o sequestro de pelo menos 145 dos ativistas a bordo, entre os quais estavam não só ativistas pela causa palestiniana mas ainda médicos, jornalistas e políticos, nomeadamente turcos. O ministro dos Negócios Estrangeiros deste país reagiu imediatamente considerando o sucedido “um ato de pirataria” e uma “grave violação do direito internacional”.
Versão diferente tem o seu homólogo israelita que escreveu na sua conta do X que “outra tentativa fútil quebrar o bloqueio naval legal e entrar numa zona de combate acabou em nada”.
As duas organizações responsáveis pela expedição, a Thousand Madleens To Gaza e a Freedom Flotilla Coalition, também confirmam o sucedido e contrapõem que a flotilha “não representa nenhum perigo” e que “os militares israelitas não têm jurisdição legal sobre águas internacionais”. De momento os passageiros dos barcos estão “detidos em condições desconhecidas”. Na altura da abordagem, os seus nove barcos estavam a cerca de 120 milhas náuticas da costa de Gaza, esclarecem. Carregavam “ajuda vital” no valor de mais de 110.000 dólares, incluindo medicamentos, equipamento respiratório e ajuda alimentar, tudo recolhido através de doações internacionais.
Para além da ilegalidade do bloqueio naval israelita à costa de Gaza, que começou em 2007, os ativistas consideram urgente quebrar este cerco dada a utilização da fome como arma de guerra por parte das forças armadas israelitas e os assassinatos que continuam a cometer de pessoas que pretendem receber ajuda nos centros que controla. Esta quarta-feira, a norte de Rafah, voltaram a disparar contra pessoas que estavam à espera de ajuda alimentar, tendo feito pelo menos um morto e vários feridos, adianta a Al Jazeera.
Organismos internacionais como o IPC, Fase de Classificação Integrada de Segurança Alimentar, apoiado pela ONU, confirmam a existência de fome em Gaza num contexto de bloqueio à entrada da ajuda também terrestre.
Estes acontecimentos sucedem-se à interceção da maior flotilha humanitária de sempre, com 42 barcos e 479 pessoas a bordo, que tinha como objetivo quebrar o cerco a Gaza e levar ajuda humanitária à sua população que continua a se vítima de um genocídio que se arrasta há dois anos. Os ativistas da Global Sumud Flotilla que vão sendo libertados continuam a denunciar maus tratos na detenção e na prisão israelita para onde foram levados.