Nas eleições deste domingo, a primeira-ministra Sanna Marin, do Partido Social Democrata, terminou em terceiro lugar. Foi ultrapassada pela direita do Partido da Coligação Nacional e pela extrema-direita dos partido Os Finlandeses. Estas três formações políticas ficaram separadas por muito poucos votos e o desafio para os vencedores será agora a formação de um governo de coligação que possa ser viável.
A Coligação Nacional obteve 20,8%, seguida dos Finlandeses com 20% e dos Sociais Democratas com 19,9%. Curiosamente subiram os três em relação aos resultados alcançados nas eleições passadas. Isto traduzir-se-á em 48 deputados para o maior partido de direita, mais dez do que anteriormente, 46 para a extrema-direita, mais sete, e 43 para os social democratas, mais três, num parlamento em que o patamar da maioria está nos 100 eleitos.
Petteri Orpo, da Coligação Nacional, celebrou “uma grande vitória”, apesar de conceder que terá muito que negociar antes de poder ter um governo. Ainda assim considerou que tem um “mandato forte” para “consertar a nossa economia”.
Por sua vez, Riikka Purra, a líder da extrema-direita, comemorou de forma ainda mais efusiva “o melhor resultado de sempre” do seu grupo. Contudo, o seu crescimento é mais significativo em termos de lugares obtidos do que em termos percentuais, com apenas mais cerca de 2,5%, já tinha ficado em segundo lugar nas anteriores eleições e já tinha até participado no governo entre 2015 e 2017.
Também com mais percentagem de votos e com mais deputados do que nas anteriores eleições, quem não pôde cantar vitória foi a ex-primeira-ministra Sanna Marin que ainda assim encontrou “razões para estarmos felizes” porque “nos saímos bem nas eleições”.
Marin “herdou” um governo de centro-esquerda do seu predecessor, Antti Rinne, que foi levado a demitir-se após ter sido acusado de ter escondido do parlamento a informação de que os correios iram transferir os contratos de 700 trabalhadores, o que resultaria em salários mais baixos. Vários setores fizeram greves em protesto e os trabalhadores acabaram por conseguir anular essa transferência. Como resultado da crise política desencadeada pela acusação de desinformação, o Partido do Centro acabou por retirar apoio ao governo e causar a sua queda.
Seguiu-se Sanna Marin no lugar, em coligação com a Liga Verde, a Aliança de Esquerda e o Partido do Povo Sueco da Finlândia. A primeira-ministra tornou-se conhecida internacionalmente por ser a mais jovem a ocupar o cargo, por nas suas intervenções sublinhar a prioridade ao combate às alterações climáticas, pela sua gestão da pandemia, por fazer o país aderir à Nato e por ter sido vítima de ataques políticos moralistas da direita depois de ter sido publicado nas redes sociais um vídeo no qual surgia a dançar numa festa.
Durante a campanha eleitoral, a social-democracia destacou a necessidade de mais investimentos públicos na educação e saúde pública, dizendo preferir subir impostos a cortar nas prestações sociais, enquanto que a direita bateu na tecla da despesa pública e da necessidade de cortes em subsídios de desemprego e ao alojamento e na necessidade de gastar mais dinheiro a construir mais centrais nucleares. A extrema-direita apontou baterias à imigração não-europeia, à saída da União Europeia, ao incumprimento da meta da neutralidade carbónica até 2035, assim como aos cortes na despesa pública.
Os restantes partidos saem quase todos prejudicados destas eleições. O Partido do Centro, liberal, perdeu oito lugares e ficou como quarto maior partido. A Liga Verde perdeu sete lugares, ficando com 13. A Aliança de Esquerda, que pertence ao Partido da Esquerda Europeia, não foi também poupada e desceu até aos 7,06%, o que correspondeu a onze deputados, menos cinco do que anteriormente.
Exceções entre os partidos mais pequenos foram o Partido do Povo Sueco da Finlândia que manteve nove eleitos, a coligação regional Åland que manteve o lugar que detém desde 1948, e o liberal Movimento Agora, que também manteve um deputado.