A Europa é o continente onde a temperatura está a aumentar mais depressa e algumas regiões do sul são as que mais irão enfrentar o calor extremo, a seca e a erosão costeira. Mas as políticas e medidas de adaptação não acompanham o ritmo do aumento dos riscos, refere a primeira avaliação feita pela Agência Europeia do Ambiente (AEA) ao risco climático na Europa.
"A nossa nova análise mostra que a Europa enfrenta riscos climáticos urgentes que estão a crescer mais rapidamente do que a nossa capacidade de preparação da sociedade. Para garantir a resiliência das nossas sociedades, os decisores políticos europeus e nacionais devem agir agora para reduzir os riscos climáticos, tanto através de reduções rápidas das emissões como de políticas e ações de adaptação fortes", afirma a diretora da AEA, Leena Ylä-Mononen.
Entre os 36 principais riscos identificados, mais de metade exige ação imediata e oito deles são particularmente urgentes. Têm a ver com a conservação de ecossistemas, proteção da população face ao calor, cheias e incêndios florestais, bem como o financiamento dos mecanismos de solidariedade europeia.
O relatório prevê que a maioria dos riscos climáticos na Europa "continuará a aumentar durante o século XXI, mesmo em cenários otimistas compatíveis com o Acordo de Paris". Além disso, a subida da temperatura e o calor extremo nos países do Sul torna-os já um clima propício para os mosquitos transmitirem doenças antes consideradas tropicais.
O risco das mega-secas que podem durar anos já está presente em várias regiões do Sul, podendo causar enormes prejuízos a vários setores da economia e degradar ainda mais os recursos de água, ao mesmo tempo que noutras regiões a precipitação extrema cada vez mais frequentes faz antever mais cheias devastadoras no futuro próximo, acrescenta o relatório.