Na véspera do 25 de Abril, dezenas de trabalhadores da EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural - concentraram-se nos Paços do Concelho em dia de reunião da vereação com a presença da administração da empresa.
“Estamos com esta luta há mais de cinco anos, o último aumento que esta empresa teve acima da inflação foi em 2018 e a partir daí nunca mais tivemos nenhum aumento, limitam-se apenas a reproduzir o aumento que é feito para a função pública”, explicou aos jornalistas o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) Miguel Mendes, citado pela agência Lusa.
Face aos “monólogos” das reuniões com a administração e ao “vazio de respostas” às preocupações dos trabalhadores que “fazem a cultura acontecer” na cidade, estes deslocaram-se a sede do município para exigir “salários dignos, respeito pelo Acordo de Empresa e valorização da cultura pública”.
“Já vivemos uma cultura de medo, não só a nível dos trabalhadores, a nível salarial, a nível de estabilidade das suas carreiras, mas mesmo a nível programático”, afirmou um dos trabalhadores presentes na manifestação. Além da questão salarial, os trabalhadores da EGEAC estão preocupados com as decisões que recentemente afastaram Rita Rato do Museu do Aljube e Francisco Frazão do Teatro do Bairro Alto, saídas que foram lidas como saneamentos políticos por parte da gestão de Carlos Moedas, agora aliada com o Chega nas decisões mais relevantes do executivo.
Bloco acusa EGEAC de “despesismo e má gestão por motivos políticos”
Na reunião de Câmara foram votadas as contas de várias empresas municipais, entre as quais a EGEAC. Em comunicado, a vereadora bloquista Carolina Serrão diz que o Relatório e Contas da empresa “mostra como as recentes decisões de Carlos Moedas tiveram unicamente motivações políticas”, dado que enquanto os diretores do Aljube e TBA agora afastados “mostram bons indicadores de gestão”, o mesmo não acontece com o Teatro São Luiz, que “mostra perda de público e falha todos os indicadores definidos pela gestão”, e vê o seu diretor “promovido, passando a gerir ainda o Teatro do Bairro Alto”.
O Bloco denunciou ainda a despesa de 75 mil euros a um evento privado, o Chic-nic, que vende bilhetes a 150 e 300 euros. “Por estas razões, e por considerar que a EGEAC se tornou uma empresa de promoção de turismo e não de cultura, o Bloco de Esquerda votou contra a proposta”, conclui a vereadora.