Guerra

Espanha fecha espaço aéreo aos voos da guerra, Portugal autoriza “drones assassinos” nas Lajes

30 de março 2026 - 11:35

Além de proibir o uso das suas bases aéreas para apoiar a guerra de Trump e Netanyahu, o governo espanhol recusa também os voos sobre o seu território. Em Portugal, a Base das Lajes recebe esta segunda-feira pela primeira vez os drones MQ-9 Reaper com o aval do Governo.

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MQ-9 Reaper em ação nos EUA
MQ-9 Reaper a sobrevoar o estado de Nova Iorque. Foto de Eric Miller/US National Guard

O espaço aéreo espanhol está fechado aos voos implicados na “operação fúria Épica”, a agressão militar lançada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu no fim de fevereiro contra o Irão ao arrepio do direito internacional.

Já era conhecida a decisão do governo espanhol de não permitir o uso das bases militares usadas pelos EUA no país para apoiar esta guerra ilegal, mas o diário El País confirma esta segunda-feira que a medida foi acompanhada da proibição do uso do espaço aéreo para os voos relacionados com a agressão militar, incluindo os de reabastecimento que têm partido da Base das Lajes com autorização do governo português.

A única exceção aberta para estas proibições é nos casos de emergência, em que pode ser autorizado o trânsito e aterragem da aeronave implicada. As bases de Rota e Morón continuam a ser utilizada pela Força Aérea dos EUA como habitualmente para as missões previstas no acordo entre os países, como o apoio logístico aos ceca de 80 mil militares estacionados em países europeus.

Segundo o El Pais, os militares estadunidenses propuseram informalmente que os bombardeiros B52H Statofortress e B-1B Lancer pudessem partir das bases espanholas não para atacar diretamente o Irão, mas como força de reação em caso de ataque iraniano a bases da NATO ou países aliados, destruindo os depósitos e lançadores de mísseis do Irão. A recusa das autoridades espanholas terá levado a que a proposta não chegasse a ser formalizada.

Os EUA encontraram uma base alternativa para os seus bombardeiros em Fairford, em Inglaterra, após Trump vencer as resistências iniciais de Keir Starmer. Mas para abastecer estes aviões em pleno voo são necessários os KC-135 que saíram das bases espanholas rumo à base de Istres-Le-Tube, a oeste de Marselha, logo no início da guerra.

A recusa espanhola complicou a logística da operação, pois antes os aviões eram reabastecido sobre o Atlântico, com as bases espanholas a permitirem acesso rápido, enquanto agora os bombardeiros que saem de Inglaterra têm de cruzar França de norte a sul para irem reabastecer ao Mediterrâneo ou contornar a Península Ibérica para entrar pelo estreito de Gibraltar. Neste caso, tal como no dos bombardeiros oriundos dos EUA, o reabastecimento é feito pelos aviões-cisterna KC-Pegasus estacionados na Base das Lajes.

“Drones assassinos” chegam às Lajes esta segunda-feira com autorização do Governo

Em contraste como o vizinho ibérico, o governo português deu agora mais um passo no seu envolvimento na guerra de Trump e Netanyahu ao Irão. Depois de aceitar a passagem e o lançamento dos voos a partir da Base das Lajes desde o primeiro dia da agressão militar, com o ministro Paulo Rangel a invocar supostas “condições” muito parecidas às que Espanha recusou e na prática impossíveis de verificar pelas autoridades portuguesas, este fim de semana o Governo deu luz verde à chegada às Lajes dos drones militares MQ-9 Reaper, conhecidos como “drones assassinos” e com capacidade de transportar mísseis de alta precisão.

Na semana passada o Bloco de Esquerda pediu esclarecimentos aos ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros sobre o enquadramento legal da utilização da base das Lajes para esta guerra e sobre a presença pela primeira vez em Portugal desta aeronave não tripulada, nomeadamente se houve resposta às questões levantadas juntos dos EUA pela Autoridade Aeronáutica Nacional, o que segundo a SIC, não terá acontecido.

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