Ataque ao Irão

Espanha nega autorização de uso das bases para atacar o Irão, EUA retiram aviões

02 de março 2026 - 16:34

Governo espanhol condenou ataque ao Irão e recusa que as suas bases militares sejam usadas para esse fim. Uma dezena de aviões-cisterna foram transferidos para bases dos EUA em França e na Alemanha.

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Avião B52 a aterrar na base de Morón de la Frontera
Avião B52 a aterrar na base de Morón de la Frontera. Foto de Joseph Raatz/Força Aérea dos EUA

A recusa do governo espanhol de prestar apoio militar ao ataque dos EUA e Israel contra o Irão levou o Pentágono a retirar uma dezena de aviões-cisterna KC-135 estacionados nas bases de Morón de la Frontera, em Sevilha, e de Rota, em Cádis. 

A ministra da Defesa Margarita Robles afirmou que o acordo de cooperação prevê a assistência a operações no quadro da legalidade internacional e não neste tipo de ações unilaterais sem enquadramento multilateral ao nível da ONU, NATO ou União Europeia.

Esta posição contrasta com a entretanto assumida pelos governos francês, britânico e alemão, que afirmaram disponibilidade para lançar “ações defensivas proporcionadas contra o Irão para tentar travar os mísseis e drones com que têm retaliado contra bases militares e instalações petrolíferas situadas nos países vizinhos e que também atingiram a base britânica no Chipre.

Além de condenar os ataques ao Irão, o governo espanhol condenou igualmente a retaliação iraniana, convocando o embaixador do Irão em Madrid para exigir o fim destes ataques, lembrando-o que também põem em perigo os cerca de 30 mil cidadãos espanhóis na região.

“Cada país toma as suas decisões em matéria de política externa. A Espanha tem uma posição muito clara: a voz da Europa deve ser, neste momento, uma voz de equilíbrio e moderação, de trabalho para a desescalada e para o regresso às mesas de negociação”, afirmou este segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, citado pelo El País. “Uma lógica de violência como a que estamos a ver só leva a uma espiral de violência e ações militares unilaterais fora da Carta das Nações Unidas, fora de qualquer ação coletiva, sem nenhum objetivo claro. A Europa deve defender o direito internacional, a desescalada e a negociação”, reforçou o governante.

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