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Eleições locais e regionais no Reino Unido: Um retrato da desunião britânica (2)

Nas eleições para o Parlamento galês, os trabalhistas, no poder desde que a autonomia de Gales foi instituída, reforçaram a sua posição, conquistando metade dos lugares parlamentares. Por Jorge Martins.
Mark Drakeford, primeiro-ministro de Gales, é da esquerda do Labour, tendo apoiado Jeremy Corbyn – Foto de NHS Confederation licenciado sob CC BY 2.0
Mark Drakeford, primeiro-ministro de Gales, é da esquerda do Labour, tendo apoiado Jeremy Corbyn – Foto de NHS Confederation licenciado sob CC BY 2.0

Continuamos, aqui, a nossa análise às eleições regionais e locais, realizadas na passada quinta-feira, dia 6 do corrente, e que deram resultados contraditórios na Inglaterra (favoráveis aos conservadores), Gales (vitória trabalhista) e Escócia (triunfo independentista).

Após termos analisado, num primeiro artigo, a eleição para o Parlamento escocês, vamos agora fazer o mesmo no que respeita ao seu homólogo galês.

Gales: um bastião dos Trabalhistas

Nas eleições para o Parlamento galês, os trabalhistas, no poder desde que a autonomia de Gales foi instituída, reforçaram a sua posição, conquistando metade dos lugares parlamentares. Por sua vez, apesar da subida que lhes permitiu subir a segunda força política galesa, os conservadores falharam a aposta de conquistar o respetivo governo autónomo, enquanto o independentista Partido de Gales (Plaid Cymru) manteve a sua votação. Já os liberal-democratas desceram, segurando a custo o seu único representante. Por fim, os Verdes falharam por pouco a sua entrada no Parlamento, tal como o Partido Abolir a Assembleia de Gales (AWAP), mas foi o UKIP o grande derrotado, ao perder todos os lugares que conquistara nas últimas eleições.

Um Parlamento recente, que foi ganhando poderes

Ao contrário da Escócia, que foi independente durante vários séculos, Gales foi conquistado pelo rei Eduardo I de Inglaterra, em finais do século XIII. Foi por o seu primogénito ter nascido durante essa conquista que o herdeiro da Coroa britânica passou, desde então, a ser designado por Príncipe de Gales.

Apesar das frequentes revoltas galesas, o território foi definitivamente incorporado no reino de Inglaterra no século XVI, no reinado de Henrique VIII. Essa integração foi legitimada, em 1707, pelo Ato da União.

Contudo, apesar do domínio inglês, os galeses conservaram a sua língua e cultura próprias, de raiz celta.

Apesar disso, o sentimento independentista (e, mesmo, autonomista) foi sempre ultraminoritário até meados do século XX, apesar da fundação do Plaid Cymru (PC) nos anos 20. Na verdade, ao contrário de mutos escoceses, que sempre pugnaram por um estatuto político diferenciado face à Inglaterra, a maioria dos galeses preocupou-se, antes de mais, com a preservação da identidade cultural e linguística da região, considerando-a possível num contexto de união política com os seus vizinhos ingleses.

Porém, tal como na Escócia, o sentimento autonomista cresceu no início dos anos 70, tendo o PC eleito, pela primeira vez, deputados nas legislativas de fevereiro de 1974, mantendo uma representação parlamentar ininterrupta em Westminster até aos dias de hoje. Algo a que não será estranha a crise que afetou as indústrias galeses, com o consequente desemprego a ela associado.

Em 1978, o governo trabalhista britânico de James Callaghan aceitou iniciar um processo de autonomia da Gales, conhecido, na terminologia anglo-saxónica, por “devolução”, como referimos no artigo anterior. Embora este fosse paralelo ao escocês, tinha algumas nuances face aquele, dados os diferentes contextos das duas nações. Assim, previa uma assembleia parlamentar regional ainda com menos poderes que a escocesa, funcionando em regime de comités especializados. A governação estaria entregue a um comité executivo, composto pelos presidentes destes últimos e presidido por um deles. Ou seja, não existiria um governo autónomo, apenas uma assembleia.

Depois de aprovada no Parlamento britânico, a proposta seria submetida a referendo em 1979. Aqui, a oposição à devolução foi ainda mais forte que na Escócia e, para além dos conservadores, aquela contou com vários deputados trabalhistas galeses, encabeçados pelo futuro líder do Neil Kinnock. Foram eles que, junto com o deputado trabalhista escocês já anteriormente mencionado, adversário da autonomia, fizeram aprovar uma disposição que só considerava válida a consulta se, além da maioria absoluta dos votos, o “sim” somasse 40% dos inscritos. Porém, no caso galês, tal não seria necessário, já que o “não” obteve um triunfo esmagador no referendo: apenas 20,3% votaram a favor da devolução proposta, com uma participação de 58,8%.

Em alternativa à autonomia política, os conservadores de Margaret Thatcher acenaram com a criação de um canal público de televisão em língua galesa. Contudo, apesar de terem ganho as eleições desse ano, só em 1982, após vários protestos, em especial do PC, o referido canal acabou por ser criado.

Contudo, e tal como sucedeu na Escócia, o thatcherismo acabou por contribuir para dar alento ao nacionalismo e autonomismo galeses e por razões semelhantes, referidas aqui. Aqui, a nomeação sucessiva, pela então primeira-ministra britânica, de dois ingleses sem qualquer conhecimento da língua e da cultura galesas para o cargo de secretário de Estado para Gales foi vista por grande parte da opinião pública da região como um sinal de arrogância e desrespeito pelo seu povo.

Para recuperar popularidade, o governo conservador de John Major, tornou o galês língua da administração pública de Gales, a par com o inglês.

Em 1997, o primeiro governo trabalhista de Tony Blair propôs a criação de uma Assembleia Nacional de Gales, com competências em vários domínios, mas podendo apenas aprovar legislação secundária, ou seja, a partir da que tivesse sido, antes, aprovada em Westminster. Tal como estava previsto no projeto rejeitado nos anos 70, não existiria um executivo autónomo, estando a governação regional a cargo de um comité com poderes executivos conferidos pela assembleia, presidido por um Primeiro Secretário.

Os resultados do referendo foram bastante apertados: com uma afluência de 50,2%, votaram favoravelmente a criação da Assembleia regional 50,3%, apesar de tanto o PC como os trabalhistas, os liberal-democratas e os verdes terem apelado ao voto “sim”.

Em 1999, a Assembleia Nacional de Gales (Cynulliad Cenedlaethol Cymru, em galês) foi instalada em Cardiff Bay, num edifício construído segundo os mais modernos critérios de sustentabilidade ambiental.

As primeiras eleições para aquela tiveram lugar a 6 de maio desse ano e, após a instalação do novo órgão, este recebeu parte das competências até aí atribuídas ao governo britânico, através do seu secretário de Estado para Gales.

Os trabalhistas, que, desde 1922, substituíram os liberais como a força dominante em terras galesas, foram os vencedores desse ato eleitoral, formando uma coligação com os liberal-democratas. Desde então, têm ganho todas as eleições autonómicas, embora sem nunca terem obtido uma maioria absoluta.

Em 2006, foi aprovado um novo estatuto de autonomia, que aumentou os poderes legislativos da Assembleia, embora esses continuassem a depender da aprovação do Parlamento britânico. Simultaneamente, autonomizou o executivo, que passou a ter poderes independentes daquela e o seu presidente a ter, tal como na Escócia, o título de First Minister. Ao mesmo tempo, foi adotado um sistema parlamentarista, com regras muito semelhantes às do escocês.

Nas eleições do ano seguinte, o Labour voltou a vencer, mas sofreu perdas e foi obrigado a uma coligação com o PC. O preço a pagar pelo apoio dos independentistas foi a promessa de um alargamento da autonomia, que os trabalhistas aceitaram, desde que submetida a referendo. Assim, para além de alargar as matérias de competência regional, a proposta dava à Assembleia a possibilidade de adotar legislação primária. O referendo ocorreu em 2011 e o “sim” triunfou por margem confortável, com 63,5% dos votos, embora a afluência tenha sido baixa, cifrando-se em 35,6%.

Nas eleições regionais desse ano, os trabalhistas melhoraram o seu resultado e não renovaram a coligação com o PC, mas isso não impediu o aprofundamento do processo de devolução. Assim, em 2014, a Assembleia ganha poderes fiscais limitados e o executivo passa a designar-se por Governo de Gales (Llyodraeth Cymru)

Em 2016, após nova vitória eleitoral sem maioria, o Labour enceta uma coligação com os Lib Dem, apoiada num ex-membro do PC, que, no ano seguinte, consegue de Londres a consagração de um modelo de autonomia equiparado ao escocês. Assim, Gales passa a poder legislar em todas as matérias que não sejam constitucionalmente domínio reservado de Westminster.

Por fim, em 2020, a Assembleia Nacional de Gales passa a designar-se por Parlamento Galês (Senedd Cymru, na língua local) e os seus eleitos por membros do Senedd (MS, em inglês, ou AS, em galês).

Um sistema eleitoral misto

O Parlamento galês é constituído por 60 membros, eleitos por sufrágio universal, direto e secreto para um mandato de cinco anos (até 2011, eram apenas quatro).

O sistema pode ser considerado misto, embora também se possa considerar como de representação proporcional personalizada a nível regional, sendo muito semelhante ao escocês.

Assim, 40 são eleitos em círculos uninominais, através do sistema maioritário a uma volta. Os outros 20 são mandatos compensatórios, atribuídos ao nível das cinco regiões eleitorais de Gales (quatro em cada uma delas). Como cada região possui entre sete e nove circunscrições maioritárias, a magnitude dos oito círculos regionais varia entre 11 e 13.

O funcionamento do sistema é igual ao da Escócia, aqui explicado.

Apesar de o sistema ser, na sua mecânica, idêntico ao escocês, a verdade é que dá resultados menos proporcionais. Isto porque, enquanto na Escócia os mandatos atribuídos através do sistema de representação proporcional regional constituem cerca de 43,5% do total, contra 56,5% dos maioritários, em Gales não vão além de 33,3% (1/3), cabendo 2/3 aos lugares conquistados nos círculos uninominais.

Aqui, desde o início que as circunscrições uninominais da eleição para o Parlamento galês correspondem às de Westminster.

Em Gales, o direito de voto é, igualmente, atribuído aos maiores de 16 anos, podendo, ainda, votar todos os estrangeiros legalmente residentes no território galês.

O contexto político

Nas eleições escocesas de 2016, o Labour, então liderado por Carwyn Jones, obteve 29 dos 60 lugares. Para governar, coligou-se com os Lib Dem, que ficaram reduzidos a um mandato, e com um dissidente do PC, que se tornou deputado independente, garantindo, assim, uma maioria parlamentar.

Pouco depois, no referendo do Brexit, a opção pela saída saiu igualmente vencedora em Gales, com 52,5% dos votos, um resultado idêntico ao do conjunto do Reino Unido, onde aquela obteve 52% dos sufrágios. Um resultado mais apertado que na Inglaterra, onde o Leave chegou aos 53,5%, mas diferente dos da Escócia e da Irlanda do Norte, onde o Remain foi maioritário.

Apesar das divisões que aquela consulta provocou no eleitorado trabalhista, nas legislativas britânicas do ano seguinte, o partido melhorou substancialmente a sua votação em terras galesas, ganhando mais três lugares.

Também em Gales houve lugar a um escândalo sexual, mas, aqui, de trágicas consequências. Em finais de 2017, na sequência do movimento Me Too, iniciado nos EUA, dezenas de deputados do Parlamento britânico foram expostos. Na sequência, tal sucedeu, igualmente, com alguns parlamentares escoceses e com o secretário galês das Comunicações e das Crianças, Carl Sargeant, acusado de assédio por três mulheres. O PM galês imediatamente o demitiu e, duas semanas depois, Sargeant suicidou-se. Surgiram, então, as críticas ao comportamento de Carwyn Jones, acusado de não ter dado ao seu ministro hipótese de se defender, vindo-se a saber, posteriormente, que este nunca terá tido conhecimento concreto das acusações de que era alvo. Além do mais, o PM galês teria, alegadamente, omitido no Parlamento que Sargeant, quando era deputado, já fora, anteriormente, alvo de “bullying”. A oposição de direita (“tories” e UKIP) pediu a sua demissão, mas Jones acabou ilibado pelo mesmo jurista irlandês que investigou o escândalo ocorrido na Escócia. Contudo, politicamente desgastado, demitiu-se em dezembro de 2018, cedendo o seu lugar ao novo líder trabalhista regional, Mark Drakeford.

Nas europeias de 2019, muito marcadas pela questão da saída do Reino Unido da UE e com uma fraquíssima afluência às urnas, o Labour foi apenas terceiro, atrás do Brexit Party (BP) e do Playd Cymru, “remainer” e defensor da realização de um segundo referendo.

Nas legislativas do final desse ano, o claro triunfo dos conservadores do primeiro-ministro Boris Johnson e consequente derrota dos trabalhistas também teve repercussões em Gales, onde, apesar de ter sido o mais votado, o Labour perdeu seis lugares e os “tories” ganharam sete.

Em 2020, a crise da CoViD terá mostrado a importância das instituições autonómicas, já que o governo galês geriu bem melhor a crise pandémica que o seu homólogo britânico em Inglaterra, mesmo se os confinamentos suscitaram fortes críticas da parte de alguns setores da sociedade.

Tal como na Escócia, a possibilidade de agravamento da pandemia levou o governo galês, com o acordo das principais forças políticas, a conceder ao presidente do Parlamento (Llywydd, em galês) a possibilidade de adiar as eleições para uma data nos seis meses seguintes, mediante recomendação do PM e a aprovação de 2/3 dos parlamentares.

Análise dos resultados eleitorais

Vamos, então, agora, passar à análise do desempenho das diferentes forças partidárias.

O Partido Trabalhista, liderado pelo primeiro-ministro Mark Drakeford foi o grande vencedor destas eleições, obtendo, na votação proporcional, 36,2% dos votos, tendo conseguido 30 mandatos, uma subida face a 2016, em que conseguira 31,5% e 29 lugares. Nos círculos uninominais, chegou aos 39,9%, contra 34,7% há cinco anos, mas sem grande proveito, já que ganhou o mesmo número de circunscrições de então: 27. Conservou 26, perdeu uma para os conservadores e arrebatou outra ao PC. Um resultado que, num contexto de refluxo do partido na Inglaterra e na Escócia, se pode considerar excelente, servindo para amenizar uma má noite eleitoral do trabalhismo britânico.

O Labour galês apoiou o processo de devolução nos anos 90, bem como os subsequentes processos de alargamento da autonomia. Contudo, opõe-se à independência, embora esta seja defendida por um grupo muito minoritário no seu seio. Nestas eleições, três dos seus candidatos eram independentistas.

O seu líder tem formação na área das políticas sociais, às quais dedicou grande parte da sua vida, e foi professor universitário nos anos 90. Eleito MS/AS em 2011, ascendeu ao governo galês dois anos mais tarde, como ministro da Saúde e dos Serviços Sociais. Após o referendo de 2016, assumiu a pasta das Finanças e do Poder Local, mas acabou por se tornar ministro do Brexit, tendente a preparar Gales para a saída do Reino Unido da UE. Em 2018, assumiu a liderança do ramo gales do Labour e tornou-se PM do governo autónomo.

Drakeford pertence à ala esquerda do Labour, tendo sido muito crítico das políticas de Tony Blair e apoiado Jeremy Corbyn desde que este anunciou a sua candidatura à liderança trabalhista. Defende o alargamento dos direitos laborais e sindicais e o aumento do investimento no serviço nacional de saúde, bem como a criação de um banco comunitário. É, ainda, um assumido republicano.

Neste ato eleitoral, os seus melhores desempenhos verificaram-se, como é habitual, nas três regiões eleitorais do Sul, a zona mais industrializada do território, com destaque para a do Oeste, onde se situa Swansea (42,9%), seguida da do Leste (41,4%) e da Central, que contém a área urbana da capital, Cardiff (40,1%). Porém, foi nesta última que obteve um saboroso triunfo, conquistando ao PC a circunscrição onde a formação independentista apresentou como candidata a sua antiga líder, Leanne Wood. Aliás, na região meridional, ganhou todos os círculos uninominais, exceto um, no extremo Sueste, junto à fronteira inglesa.

No resto do território, os seus desempenhos foram menos positivos. Assim, no Norte (32,3%) já ficou abaixo da média nacional. Aí, ganhou quatro circunscrições maioritárias, perdendo uma para os “tories”, embora tenha compensado essa perda com mais um eleito na representação proporcional. Contudo, o seu pior resultado ocorreu na região de Médio Gales e Oeste a única que não venceu (25,9%) e onde só ganhou num círculo uninominal. Trata-se de uma área rural e montanhosa, em especial na sua parte ocidental, onde o partido teve sempre mais dificuldades em implantar-se.

Quanto à proveniência dos seus votantes, estimamos que 78% já teriam votado no Labour em 2016, aos quais se haverão juntado 8% de ex-votantes do UKIP, 5% vindos da abstenção e novos eleitores, 3,5% dos “tories”, 2% dos liberais-democratas, 1,5% de pequenos partidos e 2% de outras opções de voto.

Entretanto, terá mantido 92% dos que nele votaram há cinco anos, tendo perdido 3,5% para o PC, 1,5% para os Verdes, 1% para os conservadores e, por fim, 2% abstenção e outras forças políticas.

Em segundo lugar, ficou o Partido Conservador, liderado por Anthony Davies, que obteve 25,1% do voto proporcional e elegeu 16 deputados, uma notória melhoria face às últimas eleições, onde obtivera 18,8% e 11 eleitos. Venceu em oito circunscrições uninominais, nas quais registou 26,1%, contra seis triunfos e 21,1% há cinco anos. Nestas, conservou as que já detinha e arrebatou uma ao Labour e outra aos Lib Dem. Embora tenha conseguido o melhor resultado de sempre nas eleições para o Parlamento galês e recuperado o lugar de segunda força política de Gales, este ficou aquém das expectativas, em especial depois do bom desempenho do partido nas legislativas de 2019. E, ainda para mais, porque o UKIP sofreu enormes perdas e quase desapareceu.

De entre os grandes partidos galeses, os conservadores são o mais unionista, tendo votado contra a devolução em 1997 e contra os sucessivos alargamentos da autonomia nos anos seguintes. Desde esse ano e até 2005, não elegeram qualquer representante da região para Westminster, mas foram melhorando gradualmente os seus resultados a partir daí. O partido terá sido prejudicado pela inesperada mudança de líder: o anterior, Paul Davies, demitiu-se em janeiro, depois de, no mês anterior, ter sido encontrado a beber num “pub”, violando as restrições aprovadas dias antes pelo Senedd, como forma de combate à pandemia.

O seu atual líder é um grande proprietário rural e apoiante do Brexit, ao contrário de algumas figuras dos “tories” galeses. Já estivera na liderança do partido em Gales entre 2011 e 2018, tendo abandonado o cargo após uma rebelião interna no seio dos MS/AS conservadores. Após a saída do seu antecessor, voltou a ficar à frente destes.

Neste ato eleitoral, o seu melhor desempenho registou-se, como habitualmente, na região Norte (29,9%), seguida da de Gales Médio e Oeste (26,8%), mais rural e conservadora. No Sul, onde se situam as zonas mais urbanizadas e industrializadas, os “tories” sempre tiveram menor implantação. Contudo, conseguiram, na região Este meridional, a mais unionista do território, um resultado na média nacional (25,2%).

Já os mais fracos ocorreram na região do Sul Central, onde se situa Cardiff (22,1%), e no Oeste sulista na zona de Swansea (20,9%).

Nas circunscrições uninominais, os “tories” venceram quatro no Médio Gales e Oeste, arrebatando a única até aqui detida pelos liberal-democratas, três no Norte, onde ganharam uma aos trabalhistas, e outra na Este do Sul (o seu bastião de Monmouth, no seu extremo Sueste, junto à fronteira inglesa, esmagadoramente unionista).

Relativamente à proveniência dos seus votos, 72,5% já teriam votado nos conservadores. A estes, ter-se-ão acrescentado 18% vindos do UKIP, que quase desapareceu, 3% do Partido Abolir a Assembleia de Gales (AWAP), 2,5% da abstenção e novos eleitores, 2% dos liberal-democratas, 1% dos trabalhistas e 1% de outras opções forças políticas.

Por seu turno, terá conservado 90% do seu eleitorado de 2016, tendo perdido 6% para o Labour, 1% para o AWAP, 1% para a abstenção e 2% para outras opções.

O Plaid Cymru (PC), designação galesa para Partido de Gales, liderado por Adam Price, foi a terceira força política mais votada, tendo obtido 20,7% dos votos proporcionais, o que lhe valeu a conquista de 13 lugares, um resultado semelhante ao de 2016, quando registou 20,8%, mas apenas 12 mandatos. Nos círculos minoritários, conseguiu 20,3% e cinco triunfos, contra 20,5 % e seis vitórias há cinco anos, tendo perdido um para os trabalhistas. Contudo, ganhou mais dois mandatos regionais, pelo que, no balanço final, somou mais um.

Estamos em presença de uma força política de esquerda moderada, que faz da independência de Gales o seu grande objetivo, pugnando pela realização de um referendo sobre a independência da região.

Foi fundado em 1925, como Partido Nacional de Gales (Plaid Genedlaethol Cymru), inicialmente com o propósito de defender a língua galesa, mas rapidamente passou a defender um regime de autonomia. Em 1936, três dirigentes do partido, incluindo o seu líder, Saunders Lewis, foram presos e posteriormente condenados por envolvimento num atentado contra uma base da RAF. Nesse tempo, o PC era extremamente conservador e Lewis, um católico reacionário, terá, alegadamente, mostrado alguma simpatia pelos regimes fascistas europeus, pelo que o seu apoio na sociedade galesa era bastante residual. Na 2ª guerra mundial, declarou-se neutral, com os seus membros a alegarem objeção de consciência.

Curiosamente, após o conflito, o partido, manteve essa linha pacifista, defendida pelo novo líder, Gwynfor Evans, que criticou a existência do serviço militar obrigatório e manteve a defesa da objeção de consciência. O PC colocou-se ao centro, próximo dos liberais, e foi-se movendo, progressivamente, para o centro-esquerda. Depois de ganhar algumas eleições parciais nos anos 60, obteve dois lugares nas eleições gerais de fevereiro de 1974 e, a partir daí, passou a estar representado ininterruptamente no Parlamento de Westminster.

Depois desse crescimento, sofreu novo recuo no início dos anos 80, marcados pelo thatcherismo. Nesse período, o PC virou, definitivamente, à esquerda, assumindo a defesa de um “socialismo comunitário”. O seu líder de então, Dafidd Wigley, ganhou prestígio, após uma bem-sucedida greve de fome para obrigar o governo de Thatcher a cumprir a promessa de criar um canal de televisão em língua galesa.

No início deste século, assumiu-se, claramente, como defensor da independência, afirmando esta como o seu grande objetivo político.

Nas primeiras eleições para a Assembleia de Gales, obteve 30,6% dos votos, logo atrás dos trabalhistas, mas sofreu fortes perdas nas seguintes. Desde aí, tem andado à volta dos 20%, ora um pouco abaixo, ora um pouco acima. Em 2007, melhorou ligeiramente a sua votação e entrou no governo galês, em coligação com o Labour. A partir daí, voltou a perder votos e passou à oposição, onde se tem mantido desde então, embora tenha recuperado em 2016.

Do ponto de vista económico, declara-se adepto de uma política socialista democrática, com a defesa de uma economia mista e dos serviços públicos, em especial o serviço nacional de saúde galês e a escola pública, opondo-se à privatização destes, a par com a descentralização das decisões para as comunidades locais. Também a defesa do ambiente e a preservação da natureza e dos recursos naturais de Gales constitui um aspeto importante da sua plataforma política.

A nível dos costumes, é amplamente progressista, defendendo a igualdade de género, a consagração dos direitos das pessoas LGBTQI+ e o combate a todas as discriminações. Culturalmente, defende a promoção da língua galesa, tendente ao estabelecimento de uma sociedade bilingue.

Nas questões internacionais, o partido evoluiu do euroceticismo nos anos 70 (votou contra a adesão do Reino Unido à CEE) para uma posição claramente pró-UE na atualidade. Mantem a sua tradição pacifista e neutralista, exigindo a saída das bases militares do território galês. Opôs-se abertamente à guerra no Iraque, tendo o seu grupo parlamentar em Westminster apresentado uma moção exigindo a demissão de Tony Blair, acusando-o de ter mentido ao Parlamento e iniciado a guerra sob falsos pretextos.

Nestas eleições, considerando o voto proporcional, o PC voltou a vencer na região do Médio Gales e Oeste (27,5%), seu tradicional bastião. Trata-se de uma área rural, constituída por montanhas e vales, onde a maioria da população fala galês, sendo que a sua parte ocidental é a zona mais pobre de todo o Reino Unido. Por isso, apesar de tradicionalmente conservadora, sente-se marginalizada e uma parte significativa da sua população acredita que a independência pode ser a solução para os seus problemas. Em menor grau, é o que acontece na região Norte, onde obteve o seu segundo melhor resultado (23,9%), em grande parte devido à sua força no Noroeste e na ilha setentrional de Ynis Món. Foi nestas regiões que conseguiu as suas vitórias nos círculos uninominais: três na primeira e duas na segunda.

Ao invés, não é tão forte nas áreas urbanas e industriais do Sul, onde ficou sempre abaixo da média nacional. Se, na região Oeste (18,5%) e na Central (18,2%) desta zona ainda se aguentou, teve o seu pior desempenho na do Este, tradicionalmente mais unionista (14,7%), mas onde logrou conquistar um mandato a nível regional. Na segunda, sofreu a sua derrota mais amarga, quando a ex-líder, Leanne Wood, perdeu o seu lugar para os trabalhistas, embora compensada pela conquista de um lugar na representação proporcional.

Relativamente à proveniência dos seus votos nos círculos regionais, 84% já seriam eleitores do PC, aos quais se terão juntado 7,5% de abstencionistas e novos eleitores, 5% do Labour, 1,5% de pequenos partidos e candidatos independentes,1% dos Lib Dem e 1% de outras opções.

Por seu turno, terá conservado 95% dos seus votantes de 2016, tendo perdido apenas 2,5% para dois novos partidos independentistas (o unipessoal Propel, de Neil McEvoy, dissidente do PC, e o liberal-conservador Gwald), 1,5% para os trabalhistas e 1% para outras opções de voto.

A última força política a obter representação parlamentar foram os Liberal Democratas (Lib Dem), liderados por Jane Dodds, que obtiveram, no voto proporcional, 4,3% dos votos e mantiveram o único lugar que já detinham. Ainda assim, uma descida significativa face a 2016, quando conseguiram 6,5% e também um único mandato. Então, este foi obtido numa circunscrição uninominal, que perderam para os conservadores. Nestas, quedaram-se, agora, pelos 4,9%, contra os 7,7% de então. Valeu-lhes a conquista de um lugar nos círculos proporcionais para continuarem representados no Senedd, através da sua líder. Este resultado espelha a decadência eleitoral do partido na região, pois, desde 2007, tem perdido apoio a cada ato eleitoral.

Os Lib Dem são uma força política unionista, mas defensora da ampliação da autonomia galesa, no quadro de uma solução federal para o Reino Unido, tendo votado favoravelmente, tanto a devolução como os passos no sentido do aumento dos poderes dos órgãos autonómicos. Defendem uma economia de mercado, mas são progressistas em matéria de costumes. São, ainda, abertamente pró-UE.

A sua líder é uma assistente social, com trabalho em diferentes ONGs dedicadas ao apoio às crianças e aos refugidos. Militou no Labour até 2003, ano em que abandonou o partido, devido ao apoio de Tony Blair à invasão do Iraque. Em 2005, aderiu aos Lib Dem, tendo sido eleita para a liderança do seu ramo galês em finais de 2017.

Na votação proporcional, o seu melhor resultado ocorreu, como é tradicional, na região de Médio Gales e Oeste (6,8%), onde elegeu a sua única representante. No Sul Central, onde se situa Cardiff, ainda ficou um pouco acima da média nacional (4,6%), mostrando algum apoio em setores da burguesia urbana da capital.

Já nas restantes três regiões os seus desempenhos foram mais fracos, tendo registado o seu pior resultado no Norte (3,2%), seguido pelas regiões meridionais do Oeste (3,3%) e do Este (3,4%), mais industrializadas e com forte representação da classe trabalhadora, onde os liberal-democratas têm dificuldade em penetrar.

O seu eleitorado de agora será composto por 87,5% de antigos eleitores do partido, a que se terão somado 3,5% dos trabalhistas, 2,5% dos “tories”, 2,5% de abstencionistas e novos eleitores, 1,5% vindos de pequenos partidos e independentes, 1,5% do UKIP e 1% de outras opções.

O partido terá mantido apenas 60% do seu eleitorado de 2016, tendo visto fugir 12,5% para o Labour, 12,5% para os Verdes, 7% para os conservadores, 3% para formações mais pequenas e candidatos independentes, 2,5%% para o PC e 2,5% para a abstenção e outras opções de voto.

Apesar de terem sido a quarta força política mais votada, ligeiramente acima dos Lib Dem, o Partido Verde Galês (Green), ramo semiautónomo do Partido Verde da Inglaterra e Gales, liderado por Anthony Slaughter, não conseguiu obter representação no Parlamento Galês. Os Verdes obtiveram 4,4% dos votos proporcionais, uma subida face aos 3,0% de 2016. O partido concorreu a 13 círculos uninominais, tendo-se quedado por 1,6% dos sufrágios nestes, menos que os 2,5% de há cinco anos, quando apresentou mais candidaturas. Apesar de ter obtido o melhor resultado de sempre em eleições regionais, acima do que previam as sondagens, ficou alguma frustração, já que o partido falhou por pouco a entrada no Senedd.

O Partido Verde do Reino Unido foi fundado em 1985, a partir do Partido Ecologista, criado em 1975, que, por sua vez, sucedera ao Partido POVO, nascido em 1972. Após a separação pacífica dos ramos escocês e norte-irlandês, em 1990, nele apenas se mantiveram ingleses e galeses, ficando estes últimos como ramo semiautónomo da formação. Em 2018, num referendo interno, 65% dos aderentes votou contra a criação de um partido verde galês autónomo, apesar do apoio do líder à proposta.

Contudo, o partido, que apoiou o “sim” à devolução no referendo de 1997 e, também, no de 2011, que levou ao aprofundamento da autonomia galesa, afirmou que votaria a favor da independência numa eventual consulta popular sobre a questão.

É uma força política da esquerda ecologista e republicana. Advoga, para além de medidas ambientalistas, em especial o combate às alterações climáticas, a oposição ao nuclear e o apoio às energias renováveis, políticas de igualdade social, sendo favorável à instituição de um rendimento básico universal e da semana de trabalho de quatro dias. Luta, ainda, contra todas as formas de discriminação.

Economicamente, defende uma economia mista e os serviços públicos, advogando a participação das comunidades na sua gestão. Pugna, ainda, pela adoção de um sistema de representação totalmente proporcional.

Ao nível internacional, foi inicialmente eurocético, mas rapidamente evoluiu para uma posição pró-UE. Defende uma opção política pacifista e desarmamentista, sendo opositor da NATO, do armamento nuclear e da presença de bases militares em território galês.

Como é vulgar neste tipo de partidos, o seu melhor resultado ocorreu em Cardiff, refletido no seu desempenho na região Sul Central (5,7%).

Ao invés, o seu desempenho mais fraco ocorreu no Norte (2,9%).

Do seu eleitorado, só 54% terá vindo das últimas eleições. A ele se terão acrescentado 18% vindos dos Lib Dem, 10% do Labour, 8% provenientes da abstenção e novos eleitores, 4% de pequenos partidos e independentes, 2% do PC e 4% de outras opções de voto.

Por sua vez, terá conservado 81% do seu eleitorado de há cinco anos, tendo deixado fugir 6,5% para pequenos partidos e independentes, 5% para os trabalhistas, 4,5% para o PC, 1% para a abstenção e 2% para outras opções.

Um dos grandes derrotados destas eleições foi o Partido Abolir a Assembleia de Gales (AWAP), formação da direita unionista antidevolucionista, liderada por Richard Suchorzewski, que não foi além de 3,7% dos votos e não conseguiu entrar no Parlamento, uma descida face a 2016, quando também não obteve representação parlamentar, mas chegou aos 4,4%. Pela primeira vez, apresentou candidatos nas circunscrições maioritárias, concorrendo a 23, mas não passou de 1,6% no conjunto destas. Um resultado que constituiu uma desilusão, pois todas as sondagens lhe davam o dobro dos votos obtidos na representação proporcional. Terá pago o facto de pedir votos para um órgão que pretende abolir, pelo que muitos que apoiam essa pretensão e declaravam o seu apoio nos inquéritos de opinião acabaram por não comparecer nas urnas. Por outo lado, terá sido, igualmente, vítima do “voto útil” nos “tories”.

O partido foi fundado, em 2015, pelo seu atual líder, candidato derrotado à liderança do UKIP. Em breve, ex-membros desse partido e dos conservadores aderiram ao AWAP. Contudo, divisões internas, que levaram à suspensão temporária do seu registo em 2020, enfraqueceram-no, acabando por não conseguir capitalizar o quase desaparecimento do UKIP.

O seu melhor resultado ocorreu, como seria de esperar, na mais unionista região Este do Sul, onde obteve 4,8% dos votos.

Os seus votos serão provenientes de 61% dos que nele votaram há cinco anos, a que se terão somado 29% do UKIP, 5% dos “tories”, 3% de abstencionistas e novos eleitores e 2% de outras opções.

Por sua vez, terá conservado apenas 53% do seu eleitorado de então, tendo deixado sair 18,5% para os conservadores, 12% para a abstenção, 8,5% para o Labour e 8% para outras forças políticas e independentes.

Os seus poucos votos terão vindo maioritariamente do SNP (55%) e de abstencionistas e novos eleitores (42%), a que se somam 3% de outras opções.

Tal como sucedeu por todo o território britânico, o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), da direita radical eurocética e feroz adversário da devolução, fundado por Nigel Farage, com o objetivo de retirar o país da UE, quase desapareceu, tendo sofrido uma verdadeira hecatombe eleitoral, já prevista por todas as sondagens. Assim, não foi além de 1,6% dos sufrágios no voto proporcional e perdeu a representação parlamentar, quando, em 2016, conseguira uns históricos 13,0%, que lhe valeram a eleição de sete deputados. Nos círculos maioritários, não elegera ninguém, mas chegara aos 12,5%. Agora, apresentou-se apenas em 14 destes e não passou dos 0,8%.

Após a saída do seu líder, entrou em decadência acelerada, como referimos aqui.

Apenas terá conservado 12% dos votos de então, vendo fugir 35% para os conservadores, 25% para outros partidos unionistas, como o Reform UK e o AWAP, 22% para os trabalhistas, 5% para a abstenção e 1% para outras opções de voto.

Os outros partidos e candidatos independentes tiveram fracas votações, tendo somado, na totalidade, 4,0% do voto proporcional. Nestes, os principais foram o Reform UK (antigo Brexit Party), da direita unionista, que obteve 1,1%; o Propel, formação independentista radical, de caráter unipessoal, formada pelo dissidente do PC, Neil McEvoy, com 0,9%, e o Gwald, novo partido independentista de centro-direita, com 0,6%. Os restantes e as candidaturas individuais tiveram percentagens residuais.

Nos círculos uninominais, o primeiro apresentou candidatos em todas elas, mas ficou-se pelos 1,6%, enquanto o segundo ainda se apresentou em 14, mas apenas conseguiu 0,8%. Os restantes ou não concorreram ou apenas se apresentaram em muito poucas circunscrições, pelo que, no conjunto, obtiveram apenas 0,5%. Já os candidatos independentes somaram 1,9% no total.

Um governo trabalhista sem maioria?

Após o seu triunfo com exatamente metade dos lugares no Senedd, o primeiro-ministro Mark Drakeford afirmou-se disposto a governar sozinho, uma situação que o Labour conheceu entre 2003 e 2007 e entre 2011 e 2016, algo que é possível dadas as contradições entre as diferentes forças oposicionistas.

O PM galês afirmou querer obter o máximo consenso na sua governação, especialmente para fazer face à crise pandémica. Em resposta, as bancadas da oposição foram bastante prudentes nas suas declarações, afirmando que farão uma oposição construtiva.

Já a proposta do Plaid Cymru para um referendo sobre a independência será adiada, até porque os resultados do principal partido independentista ficaram aquém do necessário para exercer uma pressão eficaz, tanto sobre o governo de Cardiff, como, e por maioria de razão, sobre o de Londres.

Entretanto, na cimeira para a qual o primeiro-ministro britânico convocou os líderes das nações autónomas, a pretexto do combate à pandemia, o líder galês poderá desempenhar um importante papel de mediação entre Boris Johnson e a PM escocesa, Nicola Sturgeon. Além de que o seu bom resultado eleitoral lhe garante maior força política no interior do Labour, podendo, até, no futuro, ser uma hipótese para a liderança deste, em especial se os seus resultados na Inglaterra continuarem a ficar aquém do desejado.

Ao contrário da Escócia, onde o apelo independentista é forte, tal não sucede em Gales, pelo que, ao contrário daquela e da Irlanda do Norte, não constitui um problema para o Reino Unido. Contudo, o que acontecer naquelas não deixará de influenciar o futuro da nação galesa.

No último artigo desta série, analisaremos as eleições autárquicas em Inglaterra.

Artigo de Jorge Martins

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