Israel

Desde 7 de outubro a UE deu 126 milhões dos seus fundos de investigação à indústria israelita

06 de junho 2024 - 10:12

“O facto de dinheiro público europeu estar a ser canalizado para empresas de armamento e outras entidades envolvidas na perpetração da ofensiva israelita em Gaza significa, na prática, que a UE está a financiar um genocídio”. A conclusão é do Transnational Institute num relatório onde detalha estas verbas.

PARTILHAR
Ilustração do Transnational Institute.
Ilustração do Transnational Institute.

A campanha de extermínio lançada por Israel desde outubro de 2023 não significou um corte nas relações da União Europeia com este Estado. Pelo contrário, esses laços foram mesmo intensificados. No âmbito dos projetos de investigação Horizon Europe, a Comissão Europeia concedeu 126 milhões de euros à indústria israelita. Destes projetos, dois financiam diretamente a Israel Aerospace Industries (IAI) com mais de 600.000 euros. Estas são algumas das principais conclusões do relatório Partners in Crime: EU cumplicity in the Israel genocide in Gaza, publicado no dia 4 de junho pelo Transnational Institute.

Outro destes projetos é o chamado EU-Glocter, que envolve uma empresa israelita que realiza simulações e “jogos de guerra”. A sigla significa “Contraterrorismo Glocal Europeu” e o projeto ascende a 2,6 milhões de euros, é coordenado pela Dublin City University (DCU), na Irlanda, e conta com a participação da Universidade Israelita Reichman, que recebeu 271.432 euros de dinheiro público europeu para este projeto. Segundo os autores do relatório, “há algo de particularmente repugnante no financiamento dos ‘jogos de guerra e simulações’ da UE em Israel, enquanto na casa ao lado, em Gaza, Israel leva a cabo uma verdadeira guerra que, na altura em que escrevemos este artigo, matou quase 40 mil pessoas.”

“A UE não só violou as suas próprias regras, que a obrigam a cortar laços com Israel devido a violações dos direitos humanos, mas também manteve ativamente relações ao longo dos últimos oito meses, aprovando financiamento para entidades israelitas e promovendo laços mais estreitos com o país”, afirmam Mark Akkerman e Niamh Ní Bhriain, os investigadores responsáveis pelo relatório.

Este sublinha que dois projetos específicos da União Europeia constituem outra via de entrada de liquidez e capital para as indústrias de armamento israelitas, se não diretamente para as armas. São os programas da Lei de Apoio à Produção de Munições (ASAP, 500 milhões) e do Fundo Europeu de Defesa (FED, oito mil milhões).

No caso do ASAP, metade do valor total foi aprovado após 7 de outubro. Os principais beneficiários foram a empresa de armas alemã Rheinmettal, que recebeu 133 milhões neste programa e outros 36 milhões ao abrigo do FED e que fornece munições para tanques às Forças Armadas israelitas. Os fabricantes Nammo (Noruega-Finlândia), que fabricam lançadores de foguetes portáteis, Leonardo, ThyssenKrupp, Rolls Royce e BAE Systems também beneficiaram destes fundos.

“A UE canalizou enormes somas de dinheiro público para instituições de investigação israelitas através de programas de financiamento de investigação anteriores e atuais. Este financiamento continuou a fluir e os projetos de investigação continuam a ser aprovados enquanto Israel comete genocídio”, observam os autores no seu relatório. “O facto de dinheiro público europeu estar a ser canalizado para empresas de armamento e outras entidades envolvidas na perpetração da ofensiva israelita em Gaza significa, na prática, que a UE está a financiar um genocídio”, concluem.


Texto publicado originalmente no El Salto. Traduzido por Carlos Carujo para o Esquerda.net.