Trabalho

CT da MEO denuncia “despedimento encapotado” de 500 trabalhadores

14 de maio 2025 - 14:01

A Comissão de Trabalhadores diz que o grupo Altice está a contactar centenas de trabalhadores para rescisões por mútuo acordo. E que tal como a NOS, também a dona da MEO apresentou lucros elevados antes de começar a despedir.

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saco da MEO
Foto de Paulete Matos

Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da MEO denuncia que “desde finais de 2024, cerca de 500 trabalhadores estão a ser contactados para rescisões por mútuo acordo“, o que classifica como um “despedimento coletivo encapotado”. A CT da empresa repudia estas práticas “que ignoram o impacto social e humano das decisões das administrações e colocam centenas de famílias numa situação de enorme incerteza”.

Também a NOS, outra das empresas que dominam o mercado das telecomunicações, deu início a um processo semelhante. Segundo o Jornal de Negócios, alguns trabalhadores começaram a ser notificados na semana passada, incluindo diretores e cargos intermédios.

A CT da MEO exprime solidariedade com os trabalhadores da NOS e diz que este cenário “insere-se num contexto mais amplo de agravamento dos despedimentos coletivos em Portugal, com um aumento superior a 22% no início de 2025 face ao ano anterior”, o que representa o pior arranque do ano desde 2014 com mais de 1.200 pessoas a perderem o emprego por despedimento coletivo em janeiro e fevereiro.

Nestas duas empresas, destaca a CT, os despedimentos seguem-se à apresentação de lucros históricos. No caso da NOS, um lucro recorde de 273,1 milhões de euros, aumentando 50,6% face a 2023, e no caso da Altice Portugal, que não divulga publicamente o lucro anual, sabe-se que houve aumento de receitas totais e um EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 994 milhões de euros.

“Estes resultados demonstram que, apesar dos lucros elevados e da solidez financeira, ambas as empresas optam por processos de redução de trabalhadores, colocando eventualmente em causa a responsabilidade social e o respeito pelos direitos laborais”, acusa a CT, exigindo que o tema seja colocado no centro do debate político e na agenda eleitoral.

Elogios no apagão, falta de reconhecimento no salário

Os trabalhadores da MEO denunciam ainda o contraste entre a “retórica de meritocracia” - que foi repetida pela administração no recente apagão, com elogios à “mobilização rápida e eficiente das equipas para garantir a continuidade dos serviços” - e a falta de melhorias concretas das condições laborais, com um aumento de apenas 1 euro no subsídio de almoço, “claramente insuficiente face ao aumento do custo de vida e distante do valor de referência do setor público”. Uma situação que “evidencia a falta de reconhecimento efetivo do contributo dos trabalhadores, mesmo quando a empresa exige desempenho de excelência e apresenta resultados financeiros robustos”, apontam.

Outra preocupação dos trabalhadores refere-se ao futuro da empresa. Embora a Altice tenha afastado por enquanto a venda total da operação em Portugal, não esconde a vontade de alienar ativos estratégicos “como infraestruturas e participações em redes de fibra ótica”, obtendo assim liquidez para reduzir o endividamento sobre o qual o grupo assenta. A CT da MEO alerta que “qualquer decisão de desinvestimento deve salvaguardar os direitos adquiridos dos trabalhadores e o interesse nacional, não podendo ser feita à custa da estabilidade laboral, do respeito pelos direitos laborais e do desenvolvimento do setor das telecomunicações em Portugal”.