Catarina acusa Governo de "fazer favores à direita" com a sucessão de casos

05 de janeiro 2023 - 16:55

No debate da moção de censura da IL, Catarina criticou a "displicência da maioria absoluta e do PS" que alimentam o populismo da extrema-direita.

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catarina Martins no debate desta quinta-feira no Parlamento. Foto António Pedro Santos/Lusa

No debate da moção de censura proposta pela IL, Catarina Martins interveio para sublinhar que "seria difícil um Governo do PS fazer tantos favores à direita como este está a fazer", pois "a cada caso que é encerrado, a cada nomeação que é feita, abre-se um novo caso".

"É absolutamente imprudente a forma como o Governo tem lidado com as nomeações e as responsabilidades dos seus membros", prosseguiu Catarina, questionando "como se pode explicar esta displicência da maioria absoluta e do PS para com a coisa pública, a democracia e as suas instituições?".

A coordenadora do Bloco referiu-se em seguida a uma frase do primeiro-ministro na abertura do debate, ao perguntar aos deputados se o Governo se deve medir pelos casos polémicos em que se envolveu ou pelos resultados que apresenta. Para Catarina, essa frase leva a política e o país para "um caminho perigoso".

"O que nos diz esta frase sobre o combate à corrupção ou o compromisso com a democracia? Cada vez que achamos que a ética republicana ou que a exigência da transparência é dispensável, estamos a atacar a legitimidade da própria democracia", defendeu Catarina, concluindo que "o PS é o partido que mais alimenta a extrema-direita com os casos" que se repetem semana após semana.

Quanto ao "discurso dos sucessos governativos", quando confrontados com  as dificuldades da vida concreta das pessoas, converte-se numa "forma perigosa de retirar legitimidade à democracia e ao debate democrático", apontou.

"A direita não pode falar da política, vive bem com salários abaixo da inflação"

Em seguida, Catarina questionou-se sobre os próprios resultados que António Costa invocara em seu crédito: "Mas que resultados, quando temos a maior perda de rendimentos reais de quem trabalha deste o tempo da troika"?

Para a coordenadora bloquista, são esses casos que alimentam o discurso da direita, pois "a direita não pode falar da política, vive bem com salários abaixo da inflação. Tal como o Governo, não quer nem ouvir falar em controlar preços ou fixar margens, tal como o Governo gosta de vistos gold e regimes fiscais que dão benefícios e fazem os preços da habitação impossíveis para quem aqui trabalha ou com uma Saúde em que quase metade do seu orçamento vai para o privado".

Sobre o caso original, que despoletou este debate, Catarina Martins sublinhou que o que ficou à vista é que "no Ministério das Finanças ninguém viu nada" sobre uma empresa pública, a TAP, onde existe um regime de privilégio para os seus administradores. "E esse regime de privilégio lá continua e pelo que sabemos pode continuar porque ninguém assume responsabilidades", acrescentou. Por outro lado, lembrou que o PS chumbou todas as audições propostas pelo Bloco aos protagonistas do caso da indemnização milionária à ex-administradora da TAP e ex-secretária de Estado do Tesouro porque "não quer responder a nenhuma pergunta". "Mas todo o país quer respostas e o Bloco vai lutar por uma comissão parlamentar de inquérito que possa dar estas respostas", prometeu Catarina.

"Não aceitamos o populismo contra a ética republicana que nos diz que não é preciso transparência e que a maioria absoluta pode tudo", concluiu.

Catarina acusa Costa de "confundir ética republicana com ética criminal"

Na resposta, António Costa voltou a ilibar Fernando Medina de responsabilidades por não ser ainda ministro das Finanças à data da aprovação da indemnização e concentrou atenções no caso revelado horas antes sobre a nova secretária de Estado da Agricultura, cujas contas bancárias foram arrestadas pela investigação ao seu marido, ex-autarca de Vinhais, num negócio de terrenos com o Seminário do concelho.

"A secretária de Estado não foi acusada de nada. Qual é o caso da ética? É ser casada com alguém que foi acusado?", questionou António Costa, acusando o Bloco de não respeitar a autonomia pessoal das mulheres. Catarina Martins pediu a palavra para responder à "acusação grave" do primeiro-ministro e para lhe apontar que está a "confundir ética republicana com ética criminal". E considerou que "isso é preocupante, porque este Governo acha sempre que tudo pode acontecer desde que não seja crime, ainda que ponha em causa o interesse público e a confiança da população nas instituições".