Nova secretária de Estado tem contas arrestadas

05 de janeiro 2023 - 11:01

Carla Alves tomou posse esta semana no Governo, mas desde março tem as suas contas bancárias arrestadas na sequência da acusação ao marido, o ex-autarca de Vinhais envolvido na venda de terrenos sob suspeita. Ao longo de oito anos, o casal depositou quase mais 700 mil euros do que os rendimentos declarados.

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Carla Alves. Foto publicada na sua página Facebook.

A edição desta quinta-feira do Correio da Manhã dá notícia da investigação que levou ao arresto de contas da nova secretária de Estado da Agricultura, que na véspera substituiu Rui Martinho no Governo. As contas foram arrestadas em março na sequência da acusação do Ministério Público ao marido, Américo Pereira, ex-presidente da Câmara de Vinhais, em que pede o julgamento pelos crimes de prevaricação, participação económica em negócio e corrupção ativa do antigo autarca e a devolução de cerca de 700 mil euros ao Estado por não ser possível justificar a sua proveniência.

Na base da investigação, adianta o acusação, está um esquema relacionado com a venda de terrenos do Seminário entre 2006 e 2015, em que um empresário e a sociedade que geria obtiveram elevados lucros em prejuízo do erário do município e do Seminário. Esses dividendos ilícitos terão somado 1,1 milhões de euros relativos a valorização dos terrenos e às quantias de que se apropriaram, montantes entretanto arrestados. Além do autarca e do empresário Nuno Gomes - que também pertencia à Assembleia Municipal - no mesmo processo foi acusado o antigo reitor do Seminário, Luís Teixeira, por participação económica e negócio, prevaricação e abuso de confiança qualificado. A acusação diz que o antigo reitor serviu de intermediário das negociações entre o Seminário e a autarquia

Rendimentos não declarados foram apanhados nas contas conjuntas

O segredo bancário do casal foi levantado entre 2013 e 2020 e a investigação concluiu que em todos os anos entrou sempre muito mais dinheiro nas suas contas conjuntas do que os rendimentos que declaravam. Ao todo, diferença de valores soma 685 mil euros.

Em março, quando foi conhecida a acusação do Ministério Público, o ex-autarca negou que "alguma vez tenha combinado com qualquer dos outros dois ou com qualquer outra pessoa a câmara adquirir os terrenos para os beneficiar".

"Os terrenos foram comprados por cinco vezes conforme as necessidades da câmara e andamento dos projetos, sendo que o último foi comprado à Tec Vinhais, [também arguida no processo], porque o tinha comprado ao Seminário sem o nosso conhecimento", disse Américo Pereira em nota citada pelo Jornal de Notícias.