O grupo parlamentar do PS chumbou as propostas de audição nas comissões de Economia e Finanças do ministro Fernando Medina, da presidente da Comissão Executiva da TAP Christine Ourmières-Widener e também do ex-ministro Pedro Nuno Santos e da ex-secretária de Estado do Tesouro Alexandra Reis, entretanto demitidos do Governo na sequência do escândalo da indemnização de mais de meio milhão de euros paga pela TAP à ex-governante.
Em reação a esta votação, a deputada bloquista Mariana Mortágua diz que o PS "impediu o Parlamento de fazer o escrutínio ao caso que abalou o país e foi responsável pela demissão de dois membros do Governo" e que essa atitude da bancada socialista é "mais um exemplo de como a tão prometida estabilidade da maioria absoluta é conquistada apenas à custa de um rolo compressor que impede os direitos e o dever de escrutínio da Assembleia da República".
"Deputados têm o dever de escrutinar este caso"
"Nem o ministro nem a secretária de Estado esclareceram as razões da sua demissão. Há muitas perguntas que continuam por responder e o que o país sente é a enorme afronta de um Governo que impõe cortes e perdas salariais enquanto mantém um regime de priviégio na TAP", prosseguiu Mariana Mortágua, insistindo que "o Governo não deu nenhuma explicação" e o PS agora impediu que fossem ouvidas "as entidades essenciais" neste caso, o que seria "um dever da Assembleia da República, pois os deputados têm o dever de escrutinar este caso".
Para a deputada bloquista, "esta recusa dá mais razões para que seja aprovada uma comissão de inquérito no Parlamento com poderes para ouvir os diferentes ministros, independentemente da vontade da maioria absoluta". A proposta de realização de uma comissão de inquérito à TAP para apurar a extensão do regime de privilégio de que goza a administração enquanto impõe cortes de salários e direitos aos seus trabalhadores foi entregue esta semana pelo Bloco de Esquerda no Parlamento.