Em comunicado, o SinFAP – Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil denuncia o que diz ser “a situação inaceitável e insustentável em que se encontra a proteção e vigilância da Reserva Natural das Berlenga”, responsabilizando a falta de investimento e a ausência de resposta do Instituto da Conservação, da Natureza e das Florestas (ICNF) e do Ministério do Ambiente.
Entre as situações denunciadas, está a falta de condições dignas de habitabilidade da habitação de serviço na ilha, a ausência de uma embarcação para transporte e fiscalização da reserva, as avarias que impedem a utilização do gerador e da mota usada nas deslocações na ilha e a degradação contínua das condições logísticas.
A soma destas situações traduz-se na prática, conclui o sindicato, no abandono da Reserva Natural das Berlengas por parte do Governo, pois sem a presença permanente de Vigilantes da Natureza “a área marinha protegida fica exposta ao saque e à exploração indevida; os visitantes circulam fora dos trilhos autorizados; a flora endémica encontra-se sob ameaça crescente; não existe fiscalização; e o cumprimento de protocolos com universidades e ONG e os projetos de conservação do ICNF, como o controlo de natalidade de gaivotas-de-patas-amarelas que já decorre há 27 anos, a sustentabilidade da Reserva está seriamente comprometida”.
O SinFAP realça que a inação do Governo face aos avisos recebidos nos últimos anos “torna-se ainda mais grave quando se sabe que o sistema Berlenga Pass gera anualmente receitas superiores a 700 mil euros para o ICNF”, que não servem para investir na reabilitação da habitação dos Vigilantes da Natureza nem na aquisição de uma embarcação operacional indispensável ao exercício das suas funções.
“A proteção das Berlengas não pode continuar a ser adiada nem ignorada. O país não pode aceitar que uma Reserva Natural esteja, na prática, sem vigilância operacional”, alerta o sindicato.