Lutas

Milhares de pessoas nas ruas para exigir a retirada do pacote laboral

17 de abril 2026 - 16:10

A manifestação da CGTP juntou na tarde de sexta-feira milhares de pessoas em Lisboa. “É uma grande demonstração de força e unidade e de acreditar que outro futuro é possível”, diz Tiago Oliveira.

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Manifestação da CGTP
Manifestação da CGTP contra o pacote labora. Foto de António Cotrim/Lusa

Muitos milhares de pessoas estão a percorrer na tarde desta sexta-feira as ruas de Lisboa entre o Saldanha e a Assembleia da República com uma mensagem clara: “Abaixo o pacote laboral!”.

A meio do percurso, o secretário-geral da CGTP disse aos jornalistas que esta manifestação convocada pela central sindical “é uma grande demonstração de força e unidade e de acreditar que outro futuro é possível”.

“O que a maioria do nosso povo está a dizer é que exigimos que o Governo retire o pacote laboral”, prosseguiu Tiago Oliveira, acrescentando que o executivo de Luís Montenegro “vive numa bolha e está a gerir para os mesmos de sempre”.

Na última proposta que o Governo colocou em cima da mesa, recebida na véspera pela CGTP. “tudo o que estava na primeira proposta há oito meses continua a estar: a generalização da precariedade, a facilitação dos despedimentos, o ataque ao direito à greve e à contratação coletiva, o impedimento dos sindicatos entrarem nos locais de trabalho, a degradação das condições de vida dos trabalhadores”, resumiu.

Tiago Oliveira quis deixar claro que “a CGTP nunca saiu das negociações, o Governo é que procurou tirar a CGTP das negociações” porque “não quer discutir as propostas dos trabalhadores, quer discutir antes as propostas dos patrões”. Esta manifestação serve também para mostrar que “os trabalhadores têm propostas e são essas propostas que querem ver discutidas”.

José Manuel Pureza: O Governo está “cada vez mais isolado” e a recorrer a “manobras de desespero”

O coordenador bloquista José Manuel Pureza esteve presente na manifestação e disse aos jornalistas que “o número de pessoas que aqui está é a prova provada da imensa arrogância por parte do Governo, da imensa prepotência deste pacote laboral e da indomável vontade de derrotar o pacote laboral”.

“Vamos sabendo a cada dia que passa que a versão que é entregue às forças sociais é mais grave do que a versão anterior”, prosseguiu Pureza, que vê o Governo “cada vez mais isolado” e a recorrer a “manobras de desespero” para avançar com a sua proposta.  Para a derrotar, defendeu, “é importante haver unidade do movimento sindical e haver muita gente na rua a exigir que este pacote laboral seja retirado”, pois representa “um agravamento muito sério na vida de quem trabalha”, seja “no banco de horas individual, na eternização da precariedade ou na falta de pagamento de horas extraordinárias”.

“Num momento em que o custo de vida está explosivo e os preços estão a subir exponencialmente, esta diminuição dos direitos dos trabalhadores agrava esta situação”, alertou o coordenador do Bloco de Esquerda, afirmando a sua confiança em que, caso o Governo tenha “o atrevimento de levar esta proposta ao Parlamento, haverá condições para esta proposta não passar” na Assembleia da República.