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Catalunha: Puigdemont abre a porta à declaração de independência

Na declaração após o encerramento das urnas, o chefe do governo catalão abriu a porta à declaração unilateral de independência e acusou o governo espanhol de ter escrito uma “página vergonhosa” na relação com a Catalunha.
Declaração do líder do governo catalão após o encerramento das urnas do referendo de 1 de outubro..

Ainda antes da contagem dos resultados, Carles Puigdemont saudou todos os participantes no referendo, e em especial os mais de 800 feridos registados ao longo do dia devido à repressão policial sobre os locais de votação.

“Ganhámos o respeito da Europa. Não pode virar a cara para o outro lado”, afirmou Puigdemont, acrescentando que irá transmitir os resultados da votação ao Parlamento catalã assim que estiver concluída a tarefa da contagem dos votos, para que este órgão possa cumprir o que está definido na lei do referendo, que prevê a declaração de independência num prazo de poucos dias. "Ganhámos o direito a ter um Estado independente, constituído em forma de República", declarou o líder do governo.

“Ganhámos o direito a ser respeitados na Europa”, prosseguiu Puigdemont, destacando que a questão catalã já não é “um assunto interno”, mas um “assunto europeu”, na sequência de muitas mensagens de condenação da repressão por parte de alguns responsáveis políticos de vários países. Segndo a imprensa alemã, Angela Merkel chegou a telefonar a Mariano Rajoy quando a contagem de feridos ainda não tinha ultrapassado os 350.

“O governo espanhol escreveu hoje uma página vergonhosa na sua relação com a Catalunha. Infelizmente, não é a primeira”, registou Puigdemont, dizendo em seguida que o caminho a seguir requer unidade, civismo e paz. “Teremos de fazê-lo abertos às propostas de diálogo que sirvam para respeitar a vontade dos catalães”, propôs.

Líderes políticos espanhóis trocam acusações e apelos ao diálogo

Na conferência de imprensa dada na sede do governo espanhol, Mariano Rajoy tinha afirmado que não houve nenhum referendo na Catalunha e agradeceu à Polícia Nacional e à Guardia Civil pela sua ação em tentar arrancar as urnas aos eleitores catalães.

Por seu lado, o líder do PSOE fez críticas tanto ao governo espanhol como ao catalão, responsabilizando aquele pela repressão policial que fez mais de 800 feridos na Catalunha e este por ter divido a sociedade com a realização do referendo. Pedro Sánchez acabou por pedir ao governo de Rajoy que inicie de imediato o diálogo com o governo da Catalunha.

Também Pablo Iglesias, líder do Podemos, fez declarações após o fecho das urnas, acusando o PSOE de ter cometido “um erro grave” ao alinhar ao lado do PP, cujo governo defende não ter mais condições para continuar. Iglesias já tinha apelado durante a tarde a uma moção de censura para derrubar Mariano Rajoy.

O dia do referendo foi intenso por toda a Catalunha, com milhares de pessoas a defenderem escolas e outros locai públicos onde decorria a votação. A polícia espanhola enviada para a Catalunha conseguiu irromper e inviabilizar algumas mesas de voto, não hesitando em usar a violência contra eleitores desarmados, muitos deles idosos, chegando a atacar bombeiros e polícias catalães que tentavam proteger os eleitores. Veja aqui algumas dessas imagens no acompanhamento que o esquerda.net fez ao longo do dia de referendo na Catalunha.

 

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