O SOS Racismo divulgou um comunicado em que considera escandalosa e revoltante a absolvição do agente da PSP que assassinou à queima roupa o jovem Elson Sanches, o “Kuku”, que tinha 14 anos quando ocorreu a morte, em 2009. A sentença foi lida na última quarta, 5 de dezembro. A organização insurge-se contra a impunidade da morte de jovens negros, recordado outros casos: Manuel Pereira (Toni) (2002) ou Nuno Robrigues (Mc Snake) (2010).
O comunicado afirma que a sentença revela que “a sociedade e as instituições em geral, nomeadamente a Justiça, demonstram que existe um profundo racismo na sociedade portuguesa, o que oculta um debate sério e frontal sobre racismo, violência policial e exclusão social.”
A organização antirracista acusa a Justiça de ter sido um dos principais reprodutores de imaginários racistas dominantes e do consenso social, “conduzindo aos abusos, perpetuando ideologias e legitimando relações de poder” que oprimem os mais fracos da sociedade. “É tempo de questionar estes silêncios e como podem ser rompidos, para que se abra finalmente a possibilidade real de se fazer justiça”, afirma.
Justiça tem silenciado vozes incómodas
Para o SOS Racismo, “a justiça portuguesa tem silenciado as vozes incómodas de uma comunidade, procurando, assim calar a longa indignação que tem perdurado no decurso da História”. Recordando que “hoje as agressões policiais são a forma mais visível da violência estrutural (material, psicológica e física) que atinge estas comunidades”, o comunicado conclui afirmando que “os abusos policiais são a última cena de um filme bem longo”, comprometendo-se o SOS Racismo a continuar empenhado na luta pela justiça, pela igualdade e contra os abusos policiais.
Recorde-se que a morte de “Kuku” deu origem a manifestações em frente à esquadra da PSP contra a violência policial e suscitou uma onda de solidariedade por parte dos amigos do jovem assassinado. No mês passado, a Plataforma Guetto organizou um concerto "Hip Hop pela Justiça", em solidariedade com a família de "Kuku" no Teatro do Bairro, que contou com mais de uma dezena de músicos.
A Plataforma está também a produzir o documentário "Violência Policial e Racismo" para "voltar a dar voz ao caso de Kuku e à situação de violencia racista que prossegue nas ruas, nas esquadras e nas prisões portuguesas".