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Assassinato de “Kuku”: Relatório da PJ aponta para “homicídio negligente”

Um relatório da Polícia Judiciária aponta para um crime de homicídio não qualificado, mas negligente, no caso do jovem “Kuku”, de 14 anos, morto a tiro por um agente da PSP. Segundo o jornal Expresso deste Sábado, a versão do agente da PSP já foi alterada várias vezes. O agente da PSP permanece ao serviço, mas desarmado e sem contacto com o público.

Segundo o jornal, o relatório da PJ afasta a hipótese de execução, porque o tiro teria sido disparado de lado. Afasta também a hipótese de legítima defesa, perante as discrepâncias existentes em relação à forma como o agente da PSP terá abordado o jovem e à distância que se encontrava quando disparou. Recorde-se que o agente da PSP tinha referido, na primeira versão, que disparara a cerca de dois metros, mas o exame pericial concluiu que o tiro foi disparado a cerca de 10 centímetros da cabeça do jovem.

A PJ e o Ministério Público também têm duvidas quanto à versão sustentada no auto do incidente, onde constam dois outros agentes como testemunhas, que podem incorrer num crime de falsas declarações. Note-se ainda que não houve nenhuma testemunha do tiro e os amigos do jovem consideram que ele era incapaz de ter uma arma na mão.

Segundo o jornal Expresso, fontes da Direcção Nacional da PSP consideram que o comunicado do Comando de Lisboa que defendeu a tese da legítima defesa, sem usar a expressão, foi "precipitado" e "demasiado corporativo". No entanto, a PSP não voltou a emitir nenhum comunicado, mantém-se silenciosa e, segundo o jornal, oficialmente diz não conhecer os resultados do exame pericial que determinou que o tiro foi disparado acerca de 10 centímetros da cabeça do jovem.

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