Está aqui

Amazon: encomendas e ações sobem, trabalhadores críticos despedidos

Empresa contratou cem mil trabalhadores e está a despedir os que contestam as condições de segurança. Em França, os tribunais restringem atividade a entregas essenciais.
Emily Cunningham, uma das trabalhadoras despedidas da Amazon fala numa ação do grupo ambientalista de trabalhadores da empresa. Foto: twitter.
Emily Cunningham, uma das trabalhadoras despedidas da Amazon fala numa ação do grupo ambientalista de trabalhadores da empresa. Foto: twitter.

A Amazon utilizou o pretexto das normas da empresa proibirem que os seus funcionários falem acerca de assuntos internos para despedir duas funcionárias que tinham criticado as condições de trabalho nos armazéns da empresa.

Esta terça-feira, o despedimento de Emily Cunningham e Maren Costa, que trabalhavam na sede de Seattle foi confirmado através de um comunicado do gigante da distribuição. As duas funcionárias eram conhecidas por lutar pelos direitos dos trabalhadores e por fazer campanha para que a Amazon faça mais acerca do aquecimento global. Tinham dado a cara pelo grupo Empregados da Amazon pela Justiça Climática.

Estes despedimentos juntam-se ao de um outro trabalhador, Bashir Mohamed, de um armazém no Minnesota. Neste caso, a empresa justificou-se com “comportamento e linguagem inapropriados e violação das normas de distanciamento social”.

Vários trabalhadores têm colocado em causa as condições de segurança nos armazéns da empresa face à pandemia da Covid-19. Estas preocupações levaram a greves em Nova Iorque, no Illinois e Michigan. Emily Cunningham tinha sido uma delas, em nome do seu grupo ativista, escrevendo “acredito que a Amazon pode ter um papel bom e poderoso durante a Covid-19. Mas para fazê-lo, precisamos de ouvir os trabalhadores que estão na linha da frente, que não sentem que estão protegidos adequadamente. Que temem contrair coronavírus ou transmiti-lo à família e população mais vasta.”

Tribunal francês limita atividade da empresa devido a riscos

Em França, o caminho seguido não foram apenas as críticas mas a via judicial. O sindicato SUD queixou-se da forma como a empresa está a laborar no país e o tribunal judicial de Nanterre deu-lhe razão. A ordem judicial foi assim de restrição da atividade submetida à avaliação de riscos durante um mês.

Este tribunal considerou que a Amazona “ignorou de forma evidente a obrigação de segurança e prevenção da saúde dos seus trabalhadores”. A partir desta quarta-feira o seu funcionamento fica limitado às cadeias de produtos alimentares, de higiene e medicamentos. Só poderá voltar a distribuir produtos essenciais depois de um processo de avaliação de risco e da implementação das medidas julgadas precisas nesse âmbito. Os trabalhadores deverão obrigatoriamente de estar representados nessa avaliação.

Amazon em alta

Os despedimentos de trabalhadores contrastam com os resultados da Amazon. As ações da empresa batem recordes, impulsionadas pelas notícias do crescimento exponencial de encomendas. Na terça-feira, atingiram o máximo histórico de 2,283.32 dólares, acima do anterior máximo que tinha sido de 2,170.22, alcançado em fevereiro do ano passado. As ações da empresa subiram 23,6% em 2020 e esta vale agora 1,14 triliões de dólares.

O aumento de encomendas teve ainda outro efeito: na segunda-feira a empresa tinha comunicado que contratou mais cem mil funcionários e anunciou ter lugar para mais 75 mil. No comunicado em que deu nota destes números, convidavam-se as pessoas que “foram afetadas economicamente pelas supressões de empregos nos setores da hotelaria, restauração e turismo” a juntarem-se à Amazon “até a situação voltar à normalidade e até que os seus antigos patrões possam voltar a contratá-los”. Deste convite público não se excluíam as pessoas que estejam empenhadas em lutar pelos direitos dos trabalhadores. Mas as ações recentes da empresa parecem falar por si.

Termos relacionados Covid-19, Internacional
(...)