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Trabalhadores da Amazon exigem compromisso da empresa com o clima

A Amazon tinha proibido os seus trabalhadores de falar publicamente sobre a relação da gigante tecnológica com a atual crise climática. Mais de 340 trabalhadores desafiaram a ordem de silêncio.
Trabalhadores da Amazon exigem compromisso da empresa com o clima
Foto de Amazon Employees For Climate Justice/Twitter.

Centenas de trabalhadores da Amazon desafiaram a empresa ao criticá-la publicamente por não cumprir com o que consideram ser a sua “responsabilidade moral” para com o clima.

Segundo uma política interna da Amazon, criada na sequência do anúncio da participação de trabalhadores nas greves climáticas de setembro de 2019, estes estão proibidos de falar publicamente sobre a empresa e a sua relação com as alterações climáticas sem autorização prévia de superiores hierárquicos.

Na sequência dessa proibição, mais de 340 trabalhadores da gigante tecnológica divulgaram posicionamentos públicos a condenar a empresa por não agir o suficiente no combate à crise climática e acompanharam os seus textos com a hashtag #AMZNSpeakOut.

 

“Centenas de nós decidiram enfrentar o nosso empregador, a Amazon. Temos medo. Mas decidimos que não poderíamos viver se nos deixássemos ser silenciados diante de uma questão com a gravidade moral da crise climática”, lê-se na conta de Twitter criada em representação destes trabalhadores.

“Cada uma das pessoas que partilhou um posicionamento teve de decidir que, independentemente das possíveis consequências, teriam de marcar uma posição por aquilo que consideram correto”, afirmou Victoria Liang, uma engenheira de software na Amazon que participou na ação pública.

“A crise climática é assim tão urgente. Não podíamos simplesmente ficar em silêncio face a questões com tamanho peso moral”, afirmou Liang ao jornal The Guardian.

A Amazon tem sido criticada, também pelos seus trabalhadores, devido aos contratos que mantém com grandes empresas petrolíferas e de gás. Mais de 8 700 trabalhadores assinaram em 2019 uma carta dirigida a Jeff Bezos, CEO da Amazon, onde apelavam a uma participação mais ativa no combate às alterações climáticas.

Em reação à ação dos trabalhadores, uma porta-voz da multinacional afirmou que a política de declarações públicas não era dirigida a nenhum grupo de funcionários em particular.

No passado mês de janeiro, três empregados afirmaram ter sido ameaçados de despedimento por se terem posicionado publicamente sobre as alterações climáticas. Numa troca de emails partilhada com o jornal The Guardian, é possível ler o departamento de recursos humanos a informar Maren Costa, trabalhadora da Amazon, que irá abrir uma "investigação" na sequência de declarações que esta prestou à comunicação social. 

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