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Almaraz: Fiscais reclassificam incidente de julho passado

Conselho de Segurança Nuclear (CSN) de Espanha reconhece que incidente de julho passado na central de Almaraz tem nível 1 e não zero (sem significado em termos de segurança). Bloco questiona Governo.
"Almaraz Cierre Ya", faixa da Greenpeace na manifestação "Fechar Almaraz" em 11 de junho de 2016 - Foto de Almerinda Bento
"Almaraz Cierre Ya", faixa da Greenpeace na manifestação "Fechar Almaraz" em 11 de junho de 2016 - Foto de Almerinda Bento

Em comunicado de 25 de outubro, o CSN reconhece que o incidente ocorrido em julho passado na central nuclear de Almaraz foi uma anomalia de nível um, o que significa ter existido uma violação dos limites operacionais da central nuclear.

Esta informação corrige a que o Governo espanhol tinha dado ao Governo português, segundo a qual o incidente teria nível zero, o que significa sem qualquer significado em termos de segurança

O Bloco de Esquerda já perguntou ao Governo: se foi notificado da alteração da classificação pelo CSN espanhol, que iniciativas pensa tomar, que medidas projeta para “proteger o território nacional de eventuais novos incidentes” e se considera que “deve defender junto do Governo espanhol o início do processo de desativação da Central Nuclear de Almaraz”.

A Central Nuclear de Almaraz situa-se na margem do Rio Tejo e dista cerca de 100 km da fronteira portuguesa. O incidente ocorrido em julho passado afetou o sistema de arrefecimento das duas unidades da central.

Segundo o documento bloquista, o CSN espanhol afirma em relação ao incidente de julho passado que “el sistema de limpieza del cambiador de calor del sistema de agua de refrigerácion de components estuvo fuera de servicio durante un tiempo superior al que se estabelece em las ETF [Especificaciones Técnicas de Funcionamento]”.

Na pergunta assinada pelo deputado Pedro Soares, aponta-se ainda que “o CSN alterou a metodologia de avaliação de ocorrências nas centrais nucleares espanholas, tornando essas avaliações mais permissivas”.

A Associação de Técnicos de segurança nuclear de Espanha denunciou, no início deste mês, que o CSN “cede a pressões do setor em detrimento da segurança nuclear”, desvalorizando “incidentes” como os registados na central de Almaraz.

A central nuclear de Almaraz já deveria ter encerrado a atividade em 2010, mas as autoridades espanholas querem prolongar a sua licença de funcionamento até 2020 e, em setembro passado, deu parecer favorável ao pedido de construção de um Armazém Temporário Individualizado.

Em abril passado, o parlamento português aprovou por unanimidade uma recomendação ao Governo português para que “intervenha junto do Governo espanhol no sentido de proceder ao encerramento da central nuclear de Almaraz”.

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