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Parlamento unânime pelo fecho da central nuclear de Almaraz

Projetos apresentados pelo Bloco e pelo PAN foram aprovadas esta sexta-feira. O apelo ao encerramento da central nuclear espanhola situada junto ao rio Tejo, na região fronteiriça, reuniu unanimidade junto dos deputados. Dia 11 de junho haverá manifestação ibérica pelo encerramento em Cáceres.
Organização ambientalista Greenpeace projetou imagens na Central de Almaraz, em Cáceres (Espanha).

A Assembleia da República aprovou, esta sexta-feira, um projeto de resolução do Bloco de Esquerda que recomenda ao “Governo que tome todas as iniciativas necessárias, junto do Estado Espanhol e das instituições europeias, no sentido do encerramento da central nuclear de Almaraz”.

O projeto bloquista, para além do voto favorável da própria bancada, reuniu apoio junto das bancadas do PS, PCP, PEV e PAN. O CDS e o deputado socialista Ascenso Simões abstiveram-se, enquanto o PSD votou contra.

O projeto do PAN, que defende que o governo de António Costa “intervenha junto do Governo espanhol no sentido de proceder ao encerramento da central nuclear de Almaraz”, obteve voto favorável de todas as bancadas parlamentares.

No projeto agora aprovado, os bloquistas alertam que “a segurança das populações, fronteiriças e não só, vale mais do que os lucros dos acionistas da central (Endesa, Iberdrola e União Fenosa)”  e que “o argumento de que a energia nuclear é barata apenas se sustenta pela imputação à sociedade dos gravíssimos custos de uma catástrofe. O perigo representado pela central nuclear de Almaraz não pode ser ignorado nem negligenciado.

“O encerramento de Almaraz não é só a exigência das populações ameaçadas. É o único objetivo responsável para um governo português”, defende o partido.

A central nuclear de Almaraz é a central nuclear mais próxima de Portugal. Situa-se a apenas uma centena de quilómetros da fronteira. Os dois reatores nucleares entraram em funcionamento em 1981 e 1983, sendo dos mais envelhecidos de Espanha. Teve o seu encerramento previsto para 2010, mas o governo espanhol prolongou-o até 2020.

Em maio de 2015, foi noticiado o desleixo na vigilância contra incêndios na central nuclear. No verão desse mesmo ano, a Greenpeace divulgou um estudo europeu sobre a aplicação dos mínimos de segurança estabelecidos depois do acidente de Fukushima, no Japão, em 2011. Segundo esta organização ambientalista,  "Almaraz não é segura e não se deveria permitir a manutenção da sua atividade".

Há dois meses atrás, cinco inspetores do Conselho de Segurança Nuclear de Espanha vieram a público quebrar o silêncio. Depois da última vistoria à central nuclear, motivada por repetidas avarias nos motores das bombas de água, ficou claro que o sistema de refrigeração não dá garantias suficientes e que, dizem os técnicos.

No dia 11 de junho realiza-se, em Cáceres, uma manifestação ibérica, organizada por mais de 20 organizações políticas ambientalistas de Portugal e Espanha, pelo encerramento da central nuclear de Almaraz.

Notícia atualizada às 15:30

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