Soam os alarmes em França contra a extrema-direita. Literalmente. O som de alarmes e de apitos foi uma das formas escolhidas pelos manifestantes convocados por mais de 200 associações francesas, entre associações feministas, sindicatos e diversos movimentos sociais, para denunciar que uma vitória da União Nacional nas eleições que terão a primeira volta daqui a uma semana seria um “perigo” para os direitos das mulheres.
🔴Manifestation féministe contre l'#extremedroite en cours à #Paris.
📹 @LucAuffret#LegislativesAnticipees #Legislatives2024pic.twitter.com/Y7aYDv8b2B— Peuple Révolté 📣 (@PeupleRevolte) June 23, 2024
Este domingo, milhares de pessoas saíram às ruas em mais de 50 cidades do país, criando várias marés violeta sob o lema, “alertas feministas contra a extrema-direita”.
La RN ne sera JAMAIS une solution, et fera TOUJOURS reculer nos droits. #AlertesFeministes #NouveauFrontPopulaire pic.twitter.com/gGVhAlEeUc
— Victoires Populaires (@PrimairePop) June 23, 2024
Criticam ainda aquilo a que chamam um “feminismo de fachada” utilizado pelo partido de Le Pen para mascarar a sua verdadeira face. À AFP, Morgane Legras, uma jovem militante do #Noustoutes lembra que esta força política “ataca sem cessar o planeamento familiar” e levanta o fantasma do “aborto por comodismo”. O corte do financiamento ao planeamento familiar, que acompanha mais de 450.000 pessoas no país, é também trazido à baila por Sarah Durocher, co-presidente do Planning familial no Libération, que lembra no parlamento esta já é uma proposta dos seus deputados.
O sentimento de urgência nota-se igualmente nas palavras de Cécile, uma trabalhadora do setor ferroviário. Ao Le Monde diz que é preciso “fazer barulho” e “acordar todo o mundo” em defesa da “igualdade social, direitos das mulheres e poder de compra”.
Lado a lado, as dirigentes das duas principais centrais sindicais do país estão de acordo nisso. Sophie Binet da CGT defende que é preciso “prevenir retrocessos nos direitos das mulheres” e “lutar contra o partido da desinformação e da mentira”, a sua central sindical fez algo inédito e lançou uma consigna de voto na Nova Frente Popular. Tradicionalmente menos à esquerda, Marylise Léon, secretária-geral da CFDT, vinca que “noutros lugares do mundo, na Polónia, na Argentina ou na Rússia, por exemplo, a extrema-direita põe em causa o direito das mulheres de disporem do seu corpo”.
Ambas são signatárias do comunicado das muitas organizações promotoras que afirma que a extrema-direita no poder em França “assinalaria o fim de uma certa conceção de democracia, do Estado de direito e de numerosas liberdades já severamente restringidas nos últimos anos”.
Sabem que a extrema-direita tem “por obsessão prioritariamente destruir os direitos e liberdades de uma grande parte da população: mulheres, pessoas racializadas, pessoas com deficiência, pessoas trans e LGBTQIA+, migrantes, meninas e crianças” e “também que ela atacará frontalmente todo o movimento social”.