Jornalismo

O Governo de Pedro Sánchez quer assegurar mais transparência e independência aos media para combater interesses partidários e concentração dos órgãos de comunicação social. E “garantir que não há partidos políticos que comprem linhas editoriais de certos meios de comunicação com o dinheiro dos contribuintes”.

Um grupo de 40 trabalhadores da Global Media anunciaram esta terça-feira que vão suspender o seu trabalho indefinidamente até que os pagamentos em atraso fossem liquidados. São jornalistas, fotojornalistas e gráficos a recibos verdes que ainda não receberam os pagamentos relativos a abril e maio.

Os trabalhadores a recibos verdes continuam com salários em atraso desde abril e estão a passar “sérias dificuldades”, diz o Sindicato dos Jornalistas. Com o subsídio de Natal em atraso, os trabalhadores da gráfica que imprime os jornais do grupo, a Naveprinter, vão juntar-se à mobilização.

O Sindicato dos Jornalistas diz ser uma “situação desumana, que está a deixar pessoas à fome, que está a corroer a vida de dezenas de jornalistas” instando a administração a demitir-se caso não encontre soluções.

Relatório da ONG Civil Liberties Union for Europe sobre a liberdade de imprensa europeia diz que se mantêm muitas das tendências identificadas no ano passado e que põem em risco a liberdade de informar.

Na redação do diário a adesão foi de “quase 100%”. Assim, o seu serviço noticioso nas plataformas digitais e redes sociais foi “perturbado” e a sua edição impressa não saiu. Também a agência Lusa parou por completo desde a meia noite de quinta-feira até ao fim da greve. Dois exemplos de uma jornada de luta considerada “histórica”.

Na última das concentrações do dia de greve dos jornalistas, centenas juntaram-se no Largo Camões num “grito de alerta” para a sua situação profissional marcada pela precariedade, baixos salários e cargas de trabalho excessivas.

Cerca de duas centenas de profissionais do jornalismo entoaram palavras de ordem junto à Câmara do Porto. Presidente do sindicato diz que a adesão à greve superou as expetativas.

Mais de duas dezenas de órgãos de comunicação não publicam notícias e noutras redações o impacto da greve está a provocar perturbações no funcionamento. Federação Internacional de Jornalistas enviou mensagem de solidariedade. Dezenas de jornalistas concentraram-se de manhã em Coimbra.

 

O Esquerda.net solidariza-se com a greve dos jornalistas, a primeira em mais de 40 anos, e apenas publicará artigos relacionados com a paralisação. Há concentrações marcadas para Lisboa, Porto, Faro, Coimbra e Ponta Delgada.

A última vez que tinha havido uma greve geral de jornalistas foi em 1982. A jornada de luta aprovado no 5º Congresso dos Jornalistas será em solidariedade para com os trabalhadores da Global Media mas também para alertar para o estado do jornalismo.

 

Os trabalhadores vão suspender os contratos de trabalho por falta de pagamento enquanto a administração decidiu não pagar salários enquanto houver o processo da ERC. Entretanto, mais dois administradores se demitiram.

Começa esta quinta-feira em Lisboa o 5º Congresso dos Jornalistas. Em entrevista à Renascença, Pedro Coelho diz que a questão do financiamento será a "mais fraturante" do evento que decorre até domingo.

Pré-aviso do Sindicato dos Jornalistas referente à greve  dos trabalhadores da Global Media Group, agendada para dia 10 de janeiro, prevê também uma paralisação solidária nacional de jornalistas, nesse mesmo dia, entre as 14h e as 15h.

Em quatro dias, 308 trabalhadores fizeram donativos para o fundo que ajuda quem está a recibos verdes no grupo e ainda não recebeu os salários de outubro.

Mariana Mortágua encontrou-se esta sexta-feira no Porto com representantes do JN e de O Jogo que estão “sob ataque”, com um grupo de comunicação vendido a um fundo que ninguém sabe de quem é nem quais os seus objetivos, e que ameaça despedimentos, vende ativos e intervém em decisões das redações.

Estruturas sindicais explicam que esta é uma forma “de dar voz ao enorme descontentamento dos trabalhadores” do grupo “em face do anunciado despedimento de 150 pessoas” e anunciam que vão participar à Autoridade para as Condições do Trabalho a falta de pagamento do subsídio de Natal.

O Sindicato dos Jornalistas convida todos os profissionais da Comunicação Social em Portugal a parar durante uma hora, um mês depois da greve do JN, num “abraço solidário” com a sua luta.

É a primeira vez, em 135 anos, que os leitores não têm acesso ao JN dois dias seguidos, na sequência da greve contra o despedimento coletivo, o atraso no pagamento de salários e as más condições de trabalho na nova sede. Bloco acompanha luta dos trabalhadores e interpela Governo.

“Sobrecarga laboral, conflitos éticos, degradação da qualidade de trabalho, dificuldade de conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, salários baixos”. Esta é uma das sínteses de um inquérito às condições de vida e de trabalho dos jornalistas portugueses.